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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Bíblico Cantinho - A Torre de Babel

E depois do impressionante Dilúvio, com o qual Deus afogou todos os bebés recém-nascidos que, de certezinha, iam ser uns pecadores do pior, os descendentes de Noé espalharam-se sobre a terra. Como na altura o incesto era ainda a forma mais rápida de fazer meninos, não tardou até que a população mundial atingisse um número impressionante. Como coelhos.

Sendo assim, um grande grupo de homens fixou-se numa grande planície, e tiveram uma ideia. Numa das suas pausas para o chá, entre caçadas, um dos homens teve uma ideia.

- E se a gente fizesse tijolos de argila, e os secássemos ao sol até serem rijos o suficiente para serem utilizados para construir… coisas?

Todos os homens olharam para o Homem dos Tijolos, e acenaram afirmativamente: “Sim Senhor, este tipo é esperto”

Dos céus soltou-se um clamor glorioso, e Deus abriu caminho por entre as nuvens e desceu sobre os seus filhos:

- Alguém invocou o meu nome? – perguntou, a sua voz uma multiplicação de trovões a longa distância.

Os homens continuaram a beber chá, e olharam uns para os outros.

- Nem por isso, Senhor – disse um dos homens.

Houve um silêncio constrangedor, como se Deus tivesse acabado de entrar numa festa para a qual não tinha sido convidado.

- Ok, então. Ei, tu, nada de pensar nessas coisas – disse Deus, apontando para um homem gordo. O Homem Gordo corou abundantemente, e bebericou o chá, envergonhado.

- Sendo assim… Portem-se bem – disse Deus, antes de regressar ao Paraíso com toda a sua Omnipotente Magnitude.

O Homem dos Tijolos lá foi buscar argila, moldou-a em forma de paralelepípedo e colocou-a ao sol. Espero. E não é que resultou?

- Fantástico! Podemos agora construir casas! Hospitais! Escolas! Muralhas, para nos protegermos dos animais selvagens! Um altar, para honrar o nosso Deus!

Um dos outros homens interrompeu-o.

- Ou então podemos construir uma torre tão alta, mas tão alta, que chegue ao Céu!

Os homens acenaram afirmativamente, com toda a convicção. “Sim sim, excelente ideia”.

- Não foi por causa de uma coisa parecida que o Adão e Eva foram expulsos do Paraíso? – perguntou o Homem do Tijolo.

- Não sei do que estás a falar.

- Eles também tiveram essa ideia de se aproximarem mais de Deus, e de darem mais importância ao seu orgulho pessoal do que à privacidade divina, e olha no que deu…

- Pois a mim parece-me uma ideia óptima. Aliás, já que vivemos no meio de um deserto, onde a caça não é abundante e não há água com que refrescar as bocas secas dos nossos filhos, acho que construir uma torre só mesmo pela piada de chegar ao Céu é um passatempo digno e imprescindível!

Todos os homens concordaram, pois o argumento não tinha uma única falha lógica.

Assim foi. Começaram a construir a torre, empilhando tijolo a tijolo. Como todos falavam a mesma língua, o seu entendimento era imediato. Todos os engenheiros especializados em estruturas trabalhavam afincadamente com os arquitectos e pedreiros, assim como com os designers de interiores, para planificarem e executarem a torre perfeita.

Passaram-se meses, e a torre ia crescendo. Entretanto Deus passou por ali, e viu a construção da torre. E disse:

- Querem chegar a Mim através de uma construção de pedra? Querem tocar no Céu assim, sem mais nem menos? O que vocês mereciam era que eu vos obrigasse a fugir desta terra, para sempre, sem nunca mais voltarem. Ups, já fiz isso uma vez. Não, o que vocês mereciam era que eu fizesse chover, e vos afogasse todos de uma vez para não ter que andar para aqui a ensinar-vos como ser boas pessoas… Hum, isso também já fiz. Desta vez podia mandar a torre abaixo, e esmagar-vos por entre os escombros. Até era bonito, como metáfora, mas os vossos filhos todos iam crescer na mesma e continuar a pecar desenfreadamente, e a minha vida não é andar a educar-vos. Pois bem. Hoje sinto-me óptimo. O Anjo Gabriel faz anos, está um lindo dia de Sol, e não sei porquê acordei bem disposto. Vou luxar-vos as comunicações, que é mais divertido. Uns ficam a falar russo, outros francês, outros marroquino. Oh Gabriel, anda ver isto, que giro!

E assim foi. Com um toque de indicador, Deus fez descer a sua Omnipotência dos Céus, e todos os homens da Terra (não só os que estavam a construir a torre, mas sim todos mesmos, que é mais democrático) passaram a falar línguas diferentes. De um segundo para o outro Deus, que não está para perder tempo a ensinar coisas difíceis como “Não deves tentar ser como eu” ou “Deves respeitar o próximo”, idealizou e colocou dentro das cabeças daqueles homens centenas de dialectos, gramáticas e léxicos diferentes, distintos em fonética e alfabeto.

O Arquitecto, que falava bielorrusso, não se conseguiu entender com o canalizador, que falava ucraniano, nem com o arquitecto, que era surdo; e a confusão instalou-se. A torre não veio abaixo, mas por lá ficou por construir. O Anjo Gabriel, por seu lado, adorava partidas originais; teve o melhor aniversário de sempre.

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domingo, 11 de outubro de 2009

O Bíblico Cantinho: A Arca de Noé

Depois de uma série de incestuosas relações entre os filhos e netos de Adão e Eva, o mundo estava repleto de gente, pois todos os homens viviam uns 900 anos e tinham filhos por tudo e por nada. No entanto, a Humanidade multiplicava-se e com ela a sua maldade. Deus olhou cá para baixo e viu que a Humanidade tinha pensamentos maldosos e impuros, e vivia para o pecado.

- Acho que esta gente está a ficar um bocado pecadora demais para o meu gosto – disse Deus para os seus botões – Estou, com todo o Amor, bastante arrependido por os ter criado. No fundo eu já sabia que eles iriam ser assim, mas agora arrependo-me. Também já sabia que ia ficar arrependido, e que iria saber que eu já sabia que iria ficar arrependido. Uau, esta omnisciência toda está a confundir-me. Onde é que eu ia? Ah, sim, os pecadores nojentos que eu criei. De que forma é que lhes posso chamar a atenção para o facto de as suas acções serem maldosas e erradas? Poderia descer sobre eles em toda a minha benevolência e dar-lhes uma mensagem de paz, numa luz branca de Amor que cobrisse toda a terra, e faze-los compreender, graças à minha omnipotência, que a maldade que guia as suas vidas está errada… Ou, então, podia enviar o meu Filho e espetá-lo com uns pregos numa cruz para salvar a Humanidade. Hum… Já sei! A melhor forma de corrigir esta confusão é enviar uma chuvada durante 40 dias e 40 noites, e assim aniquilar toda a vida na terra, incluindo animais, plantas, pessoas boas e bebés recém-nascidos que ainda não tiveram tempo sequer para começar a pecar. Assim não sobra ninguém, e posso recomeçar tudo de novo. Sim, parece-me uma ideia fenomenal, e também mais prática. No entanto, vou deixar para mais logo aquela ideia do meu Filho espetado na cruz; também me pareceu ter potencial…

E assim Deus desceu sobre a terra, e entre todos os homens pecadores que ia encontrando viu Noé. Noé era um tipo fixe, e é uma das mais realistas personagens das belas histórias da Bíblia. Tinha quinhentos anos, três filhos, e era o único homem justo e bom na face da terra. Ah, e para além disso, andava sempre com o Senhor; de certeza que este pequeno critério não teve nada a ver com a decisão de Deus, mas fica aqui registado só por uma questão de coerência.

Foi assim que Deus foi ter com Noé, o homem mais justo da terra, e lhe disse:

- Noé, vou afogar toda a Humanidade. O que achas?

- Oh Senhor Deus, Tu és realmente Grandioso.

- Pelas tuas sábias palavras vejo que és um homem bom e justo. Mas será que posso mesmo ter a certeza que és um homem realmente merecedor?

- Senhor, em tudo na minha vida sigo os Teus ensinamentos, e as Tuas mensagens são para mim uma benevolente prova divina da tua absoluta grandiosidade.

- Sim, pelo que vejo és realmente um homem perfeito e justo entre todos estes pecadores que criei, e sinto que posso abrir o meu coração a ti, Noé. Como já devo ter dito, vou afogar toda esta gente, pois acho-os todos uns pecadores do pior. Toda a gente, menos um homem: tu.

- Oh Deus! Obrigado!

- E como sou um Deus muito coerente, aproveito e salvo também a tua família, incluindo as mulheres dos teus filhos e eles próprios, apesar de aparentemente tu seres o único homem bom na Terra.

- Era isso mesmo que lhe ia perguntar, meu Deus; mas obrigado por salvar também a minha pobre, nojenta e pecadora família, em nada digna de partilhar o mesmo mundo que Tu, Deus.

- De nada. Agora repara na minha lógica infalível: decidi do nada que todos os animais e plantas também devem perecer, apesar de nada terem a ver com os homens pecadores. No entanto, tu salvarás um par de animais de cada espécie, um macho e uma fêmea. Dos animais puros deverás salvar sete pares, e dos impuros apenas um. Cuidado não te enganes, porque se depois do dilúvio temos dois leões ou duas mulas não há descendência para ninguém. Também deverás encher a arca com todos os comes e bebes que conseguires, para alimentar a tua família e todos os animais durante o dilúvio.

- Sim, Senhor.

- Vais construir uma arca gigantesca, com as medidas que eu te disser. Tens aí um papel à mão?

Deus ditou as medidas exactas da arca, e todas as suas especificidades.

- Senhor, permita-me uma pergunta. Onde é que entra a tampa?

- A tampa? – perguntou Deus.

- Sim, Senhor. A tampa da arca.

Houve uma longa pausa, em que Deus olhou para Noé e Noé para Deus.

- Ah, é um barco. No fundo é um barco normal, só que chamado arca.

Deus não disse nada.

- Compreendi. Tens de perceber, Deus, que a Tua sabedoria é demasiadamente grande para ser compreendida pelas mais simples e honestas mentes como a minha.

- Resumindo, Noé: dentro da arca levarás toda a tua família, e um par de cada um dos animais da Terra.

- Senhor, devo ir buscar os animais ou eles virão ter comigo?

- Eles vêem ter contigo. Preocupa-te com a construção da arca.

- Então e animais como os coalas, que não existem neste continente? Ou as avestruzes, ou os búfalos americanos?

- Vêem a nado.

- E todos os insectos do mundo, com o seu milhão de espécies diferentes?

- Voarão até ti.

- E as formigas, que não têm asas? Vêm a nado?

- Noé, preocupa-te com a arca. Eu preocupar-me-ei com as óbvias falácias lógicas desta história, uma vez que na altura em que o livro sobre mim for escrito os seus autores não saberão a quantidade de problemas existentes nestas histórias e por isso não se vão poder queixar.

- A arca, Senhor, claro. A arca.

E assim Noé juntou os seus três filhos, Sem, Cam e Jafet, e os trabalhos de construção da arca começaram. Quando ficou terminada a arca, os animais de todo o mundo começaram a aparecer à porta de Noé, enchendo a terra de fezes e urinando por todo o lado. De todas as espécies do mundo havia um par, um macho e uma fêmea. Vendo este belo espectáculo, Deus desceu sobre a terra e disse a Noé:

- Fizeste tal e qual como te ordenei, Noé. Muito bem. Agora entra na arca rapidamente com tua família e todos os animais, porque não tarda vou aniquilar toda a população da terra com as águas torrenciais.

Noé, amedrontado, abriu a porta da enorme Arca e começou a conduzir os animais lá para dentro. Por último, já se ouvia a trovoada e viam as primeiras nuvens negras no céu, a família de Noé e ele próprio entraram na arca e Deus fechou a porta atrás deles.

Durante quarenta dias e quarenta noites choveu torrencialmente. Toda a terra foi coberta, desde os mais profundos vales até aos cumes das montanhas mais altas. A arca, claro, boiava sem problemas por entre as torrentes de água da chuva, abrindo caminho pelas marés e pelos corpos a boiar de todas as vítimas do dilúvio. Noé vinha muitas vezes dar um passeio ao porão, olhando pela borda da arca para as águas e vendo todos os cadáveres inchados de todos os pecadores irremediáveis, e respectivas crianças e filhos bebés. Noé rejubilava-se, pois sabia que ele e a sua família mereciam muito mais ter sobrevivido àquele dilúvio do que todos os outros seres vivos à face do planeta.

Andava a arca a boiar há já longos meses quando Deus decidiu que sim senhor, todos os pecadores já tinham sido exterminados devidamente, e era altura de fazer o nível das águas descer para que Noé pudesse sair da arca. As águas começaram então a descer; e Noé lançou de uma das janelas da arca uma pomba branca, esperando que esta lhe trouxesse no bico o sinal de terra. A pomba regressou dali a uns tempos, com um ramo de oliveira no bico. Noé, de lágrimas nos olhos, exclamou:

- As águas estão a descer!

E estavam mesmo. Não tardou a chegar o dia em que a água secou e Noé e seus familiares puderam sair da arca para terra firme. Disse-lhes Deus:

- Cá estão todos, vivinhos da silva. Reparem só na minha benevolência. A terra está vazia de pecado e de desgraça. Vão, soltem os animais e multipliquem-se vocês também sobre a terra.

Noé, em vez de obedecer a Deus e ir logo fecundar a sua mulher, construiu um altar dedicado ao Senhor, e sacrificou um de cada animal puro em honra de Deus. Deus sentiu o agradável odor a sacrifício, e banhado por um sentimento de Amor disse para si mesmo:

- Aaah. De futuro não voltarei a amaldiçoar a terra desta maneira. Pronto, desta vez foi só um descuido… Não pensei bem, estava um bocado desapontado com os pecadores, exagerei… Mas prometo, minha querida Humanidade, que nunca mais castigarei a terra nem os seres vivos, apesar de saber que vocês homens são naturalmente maus e corruptos desde que nascem até que morrem. Numa pequena nota extra, para melhor compreenderem o meu raciocínio, relembro que vos fiz à minha imagem, e que fui eu que vos criei da forma como são.

Deus virou-se para Noé, que o esperava com a família junto do altar coberto com o sangue de todos os animais sacrificados, e disse:

- Não se esqueçam de ser fecundos, e de se multiplicarem pela terra. Eu sei que a última vez correu mal, mas espero que consigamos acertar desta vez. Estabeleço aqui uma aliança convosco e com a vossa descendência, bem como com todos os animais que trouxeram na arca: nunca mais uma única criatura será exterminada através de um dilúvio como este, e nunca mais um dilúvio destruirá a terra. Claro que tal como fizeste e muito bem, Noé, estão sempre à vontade para degolar um ou outro bichinho em minha honra. Aliás, mais tarde dar-vos-ei a lista de Leis que regem a forma como devem ou não sacrificar animais inocentes para compensar o que fizeram de mal, mas isso ficará para outro dia. Por agora, dou-vos este sinal lindíssimo da nossa aliança.

Deus estendeu o dedo sobre os céus, e o arco-íris abriu-se em sete cores vivas e comoventes por entre as nuvens.

- De cada vez que virem este meu arco – disse Deus – lembrem-se da aliança que fizeram comigo. Haverá forma mais bela de simbolizar uma aliança feita entre o Homem e o seu Deus depois de um extermínio a nível mundial porque me ter arrependido de vos ter criado? Não me parece.

Noé e a família choraram de comoção, ao ver Deus a subir pelas nuvens e o belo arco de sete cores atravessando os céus. Agora restava limpar os restos putrefactos de todos os pecadores exterminados no dilúvio e retomar as suas vidas honestas e justas, sempre caminhando junto ao Senhor.


Valerá a pena acrescentar, no entanto, o último capítulo na história de Noé. Noé tinha três filhos, Jafet, Sem e Cam. Cam, por sua vez, tinha um filho chamado Canaã.

Noé, que era agricultor, recomeçou a lavrar a terra após o dilúvio; e depois de plantar a primeira vinha, fez vinho, bebeu-o e embriagou-se. Bêbado, foi deitar-se completamente nu dentro da sua tenda, e adormeceu. Acontece que por azar, Cam entrou na tenda e viu o triste estado do seu pai, despido e alcoolizado. Saiu da tenda e foi logo contar aos irmãos, que se dirigiram à tenda com uma capa e, entrando de costas para não verem a nudez do pai, lhe cobriram o corpo com a capa que levavam.

Quando despertou da embriaguez, Noé soube o que tinha acontecido. O que Cam lhe fez para ficar assim tão furioso nunca iremos saber, mas partindo do princípio que estava nu e inconsciente dentro de uma tenda não podemos deduzir coisa boa. Disse Noé:

- Maldito seja Canaã! – gritou Noé, o homem mais justo e bondoso da sua geração, culpando o seu neto pelo que o filho lhe tinha feito – Que ele seja o último dos escravos dos seus irmãos! Bendito seja o Senhor de Sem, e seja Canaã o seu escravo!

Assim terminam as referências a Noé, o homem mais justo aos olhos de Deus, que depois de uma noitada de embriaguez condenou o seu neto Canaã pelo facto de o pai do rapaz o ter visto nu e bêbado dentro de uma tenda. Somos todos, relembro, descendentes deste homem.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Bíblico Cantinho - Adão e Eva

Depois de uma longa semana de cansativas criações, e antes de tirar um diazinho para repousar, Deus Nosso Senhor achou que faltava qualquer coisa; e por isso decidiu fazer um ser à sua imagem: um ser que transpira, tem necessidades diárias, cheira mal quando não se lava, tem pêlos debaixo dos braços e urina por um tubinho. Deus pegou num punhado de terra, deu forma ao Homem e insuflou-lhe o Sopro da Vida pelas narinas adentro.

- Vou chamar-te de Adão – disse Deus. Adão começou a existir. Ora como este novo ser vivo (que era à imagem de Deus) tinha frio, calor, e constipava-se se apanhasse chuva, Deus plantou um enorme jardim ao Oriente (ao oriente? de quê?) a que chamou Éden. Foi nesse lindo jardim que Deus colocou Adão, e mostrou-lhe todas as belas árvores de fruta, com suculentos frutos, e rios lindíssimos e de águas cristalinas. Como terreno era uma maravilha. Disse Deus:

- Adão, meu rico filho. Podes andar todo nu e em perfeita ingenuidade e inocência de um lado para o outro, comer frutos, brincar com os animais e pedir o que quiseres do serviço de quartos, mas há uma coisa que não podes fazer. Ordeno-te que nunca, em nenhuma circunstância, proves dos frutos da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, porque se o fizeres vais morrer de certeza. Para facilitar o cumprimento desta regra, e evitar que caias em tentação e desgraça, vou plantar a árvore mesmo no centro do Jardim, onde a possas ver a todo o momento.

Estava Deus nesta pequena brincadeira, a jogar ao Tamagotchi com o seu novo brinquedo, quando decidiu que estava na altura de arranjar um auxiliar para Adão. Ao que parece, Adão tinha tarefas difíceis o suficiente para necessitar de um assistente, como correr nu pela relva, tomar banho no rio e descascar frutos para o almoço. Assim, Deus reuniu todos os animais que havia criado naquela semana tão cansativa, e conduziu-os à presença de Adão.

- Como sou um tipo simpático, deixo-te escolher o teu assistente.

Adão foi de animal em animal, procurando um assistente à altura; mas depois de ver todos eles, incluindo os pavões, as preguiças e todo o tipo de répteis e insectos perigosos que o poderiam matar à mínima mordidela ou picada, Adão estava indeciso.

- Deus, nenhum destes animais tem o perfil que eu estou à procura.

- Tens razão, Adão. Espera só um bocadinho – dito isto, Deus fez uso de toda a sua omnipotência imaterial para anestesiar Adão e, em seguida, arrancar-lhe uma costela que usou para criar a mulher. Quando Adão acordou sentiu uma dor no peito.

- Era preciso teres-me arrancado uma costela, oh omnipotente Deus?

- Não, pois sou omnipotente; mas acho que é um bom pormenor para acrescentar à história. Sabes, um dia vou publicar um livro e isto vai lá aparecer tudo. Agora cala-te, e cumprimenta a tua nova auxiliar.

Adão olhou para a mulher, chamada Eva, e porque era inocente e vivia completamente sem pecado não lhe reparou nos seios nem nas curvas sinuosas.

- Pus-lhe estes bónus, para vos poder distinguir, apesar de saber perfeitamente que a figura da mulher será, mais tarde na História, um poço de tentações. Depois logo se vê como fazer em relação a todos os pecadores nojentos que me desobedecerem; por agora, têm mais do que tempo para se auxiliarem um ao outro e aproveitar o Paraíso. Chô. Vão provar frutinha.

Adão e Eva iniciaram logo uma alegre conversa, e foram juntos descascar bananas para o almoço. Andavam nus, porque não tinha vergonha nenhuma. Eram uns desavergonhados, portanto.

Passou algum tempo até que, um belo dia no Éden, a serpente se aproximou da Eva quando ela estava a colher cocos para fazer um sumo. Adão, afastado, banhava-se num riacho.

- Pst! – disse a serpente.

- Hum? – perguntou a Eva, olhando em volta, deixando cair um coco ou outro.

- Aqui, sou eu! A serpente!

- Muito bom dia, sou a Eva.

- Sim, está bem. Olha, é verdade que Deus vos proibiu de provarem dos frutos daquela árvore ali ao fundo? A árvore do Conhecimento do Bem e do Mal?

- Sim, é verdade.

- Ele está a enganar-vos. Se provarem daqueles frutos ficarão a conhecer todos os segredos do bem e do mal, e por isso igualar-se-ão a Deus.

Eva ficou pensativa.

- Tens a certeza disso?

- Claro – confirmou a serpente – Vais acreditar em mim, um réptil coberto de escamas e língua bifurcada, ou no Deus omnisciente que te criou?

Eva ficou pensativa mais uma vez, deixando cair outro coco. Não sei se já repararam, mas nesta história a mulher é de raciocínio bastante inerte.

- Sim, faz todo o sentido! Deus disse que morreria se comesse do fruto, mas como uma serpente me aconselha a comer dos frutos e eles até parecem bastante doces vou experimentar!

Eva caminhou até à Árvore do Conhecimento do bem e do Mal, arrancou um dos frutos e deu-lhe uma dentada. Sim, era realmente doce; por isso chamou o seu amigo Adão.

- Adão, Adão! Chega aqui!

Adão, a secar o cabelo com uma folha de palmeira, aproximou-se a correr.

- Sua ignorante! Não é suposto comeres desses frutos! Morrerás no mesmo instante!

Mas a Eva continuava a mastigar, sem morrer nem nada. Deu uma segunda dentada, e estendeu o fruto a Adão.

- Prova! É doce, e ainda não morri! Foi uma serpente que me aconselhou a provar!

- O quê, aquele bicho comprido, coberto de escamas? Ah, então deves ter razão!

Adão, na sua inocência, também não devia muito à inteligência, e preferiu confiar na sua companheira ao invés de seguir a palavra de Deus. Levou o fruto à boca.

À primeira dentada largou a folha de palmeira ao chão e olhou para Eva, como que para dizer que sim senhor, o sacana do fruto era mesmo doce; mas Eva não estava a olhar para ele nos olhos, mas sim para o seu corpo.

- Que foi?

- Adão… Estás nu!

Adão deixou cair o fruto e abriu os olhos de espanto.

- Eva! Tu também!

Adão sentiu a vergonha a apoderar-se do seu corpo. Ao ver o corpo nu e cheio de curvas de Eva, houve outra coisa que se apoderou de uma parte particular do seu corpo; Adão ganhou cor vermelha nas bochechas, voltou a pegar na folha da palmeira e colocou-a abaixo da cintura.

Entretanto Deus, o omnipresente criador, passou por ali por acaso e pela primeira vez viu Adão e Eva a tapar as partes privadas, que até há uns segundos atrás eram tão públicas como o resto do corpo. Deus ficou surpreendido, pois uma vez que é omnisciente não estava nada à espera daquilo. E, por ser omnisciente, perguntou a Adão:

- O que aconteceu? Porque te estás a tapar? Porque sentes vergonha do corpo que fiz para ti?

Adão, ainda corado por causa das sinuosas curvas da Eva, apontou para ela.

- A culpa foi toda da gaja que fizeste para mim. Ela deu-me o fruto e eu comi-o.

- Se ela to deu, porque é que comeste se eu te disse para não o fazeres?

Adão pausou.

- Porque a culpa foi toda dela. Da gaja.

- Isso faz todo o sentido – disse Deus, virando a sua omnipotente face para Eva, que se tapava atrás de uma bananeira – Eva, porque é que provaste o fruto proibido?

- Porque uma serpente muito simpática me disse que tu nos estavas a enganar, e que se provasse dos frutos não só não morria como ficaria a conhecer o bem e o mal.

Adão acenou afirmativamente com toda a confiança, apontando para Eva de forma acusatória.

- Então já que estás viva e consegues distinguir o bem e o mal, vamos lá ver como te safas. Adivinha lá o que vos vai acontecer, sua esperta! – disse Deus, em fúria, graças à sua omnisciente benevolência – Ficarás condenada, Eva, a enormes dores durante o parto, e ficarás sujeita às ordens do teu marido.

Eva coçou a cabeça a pensar o que raio seria um parto, e Adão ficou satisfeito com a parte de ser sujeita ao seu marido; aquele castigo era o máximo.

- Adão! – gritou Deus. Adão desviou os olhos das curvas de Eva e olhou para Deus, amedrontado.
- Também tu serás castigado!

- Não lhe disse já que a culpa foi toda dela?

- Sim, mas pronto. Fica sabendo que a partir de agora terás de trabalhar o campo, e o pão que comeres e a erva que te alimentar só os terás graças ao suor do teu trabalho. Da terra só arrancarás alimento à conta de incontável esforço físico, até que voltes à terra da qual nasceste. Porque tu és pó, e em pó te tornarás. – Deus fez uma pequena pausa – Que coisa bonita. Saiu-me mesmo bem.

- Mas senhor, e a serpente maligna que me convenceu a provar do fruto proibido? – perguntou Eva, escondida atrás da bananeira.

- À serpente darei um castigo ainda mais exemplar: Deverá rastejar todos os dias da sua vida sobre a própria barriga, e alimentar-se de pó – disse Deus, o Omnisciente: o que é curioso, porque as serpentes actuais não têm pernas nem asas que indiquem como será que andariam ANTES de terem começado a rastejar, e muito menos comem pó.

- Deus, mas…

- Mas nada. Cale-se. Adão e Eva, aqui têm túnicas para esconder os vossos corpos despidos – disse Deus, e fez surgir do nada duas túnicas. Eva vestiu a sua, Adão também.

- Deus, obrigado por tamanha benevolência! Não nos mataste, e teremos a possibilidade de continuar a honrar-te eternamente! – disse Eva, enquanto Adão se entristecia ao ver Eva vestida.

- Sim, podem fazer isso tudo. Aliás até agradeço que me honrem como deve ser, mas por agora façam as vossas malas e saiam daqui. Estão expulsos do Jardim do Éden!

- Mas Senhor! – gritou Adão, tristemente, ainda mais triste do que estava há pouco ao ver Eva tapada com a túnica – Do que nos vamos alimentar?

- Por alguma razão criei as ovelhas, as galinhas e as batatas. Vão e cultivem a terra. Desenrasquem-se. Quem vos mandou desobedecerem-me? Fica já aqui a lição, seus mortais vergonhosos – disse Deus com toda a benevolência – A partir de agora é para me darem atenção e seguirem tudo o que eu vos disser. À letra. Senão eu uso a minha omnisciente bondade divina e começam a acontecer-vos coisas desagradáveis. Siga!

E de túnicas no corpo e mãos vazias, Adão e Eva foram expulsos do Paraíso, preparando-se para uma dura vida a trabalhar a terra e a ter cuidadinho para não pecar mais nenhuma vez.

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domingo, 4 de outubro de 2009

O Bíblico Cantinho - Caim e Abel

Era uma vez o único homem e a única mulher do Mundo, que entre outras coisas foram expulsos de um sítio lindíssimo onde viviam. Chamavam-se Adão e Eva, e tiveram dois filhos: Caim e Abel.

O Abel era visivelmente o mais prendado, porque era pastor; Caim, coitado, mal sabia alimentar uma ovelha e por isso ficou com a difícil tarefa de colher milho; isto porque, aparentemente, Adão e Eva já tinham uns 800 anos, e por isso andavam demasiado cansados para trabalhar os campos.

Num dia como outro qualquer, Deus desceu dos céus para reinar um bocado com a sua criação, e pediu aos dois irmãos:

- Sacrifiquem aí qualquer coisinha por mim, se fazem favor. Já.

E lá foram os dois irmãos, procurando algo giro para sacrificar em nome de Deus. Como sabiam que Deus estava em todo o lado a vê-los, decidiram despachar-se. Abel, o pastor, agarrou na ovelha mais gorda e forte do rebanho, de forma a que o sacrifício fosse realmente espectacular. Quanto a Caim, foi até ao celeiro à procura de qualquer plantinha para sacrificar por Deus, e decidiu-se por um cestinho de alguns vegetais.

Chegados ao típico local onde se faziam sacrifícios com regularidade (porque Deus nesta altura ainda não tinha muitos humanos com que se preocupar, e por isso os irmãos eram a melhor forma de passar aquele bocadinho de Eternidade), Abel colocou a ovelha gorda em cima de uma pedra, dando-lhe uma pedrada para ela estar quieta. Caim depositou numa pedra ao lado o cestinho de hortaliças. As nuvens no céu abriram-se com todo o dramatismo, e uma luz branca desceu sobre os irmãos.

- Digam-me o que trouxeram. Já – pediu Deus, com todo o Amor.

- Senhor, trouxe-te a melhor ovelha do meu rebanho, para mostrar com este sacrifício e as duas semanas de fome que vou passar por estar a matar o meu ganha-pão o quanto te Amo – e com isto Abel, munido de uma pedra bicuda e do Amor por Deus, esventrou a ovelha a sangue frio. Foi a vez de Caim.

- Senhor, trouxe-te a melhor couve, a melhor maçaroca, a melhor cenoura e a melhor batata do meu cultivo. Aceita este sacrifício como prova do meu Amor por ti – e com isto, Caim esventrou a batata, e cortou a cenoura às rodelas.

- Aceito os vossos sacrifícios, meus Filhos – disse Deus – Abel, portaste-te bem. Essa é uma boa ovelha, e está especialmente bem esventrada. Mostraste que me Amas de verdade. Caim, quanto a ti, pensas que este sacrifício é a melhor forma de Me honrar?

- Mas senhor, não tenho outra forma… Eu Amo-te tanto ou mais que meu irmão!

- Não Amas nada! – disse Abel.

- Parem – disse Deus – Caim, eu sei que sou omnipresente e omnisciente, e por isso sei que me Amas e que me queres Honrar. No entanto, neste caso particular, vou fingir que sou ceguinho e que preciso MESMO de um sacrifício teu para Me sentir honrado; e obviamente que um sacrifício como o teu, ao lado do do teu irmão, é uma ninharia. Por isso, e porque sou infinitamente omnisciente e sapiente, começo a achar que não me Amas lá muito.

Abel deitou a língua de fora ao irmão, e Caim ficou triste. Deus foi-se embora, pensar em mais sacrifícios; e os dois irmãos continuaram a sua vidinha. No entanto, Caim ficou extremamente triste pois Deus, o seu Senhor, não gostara tanto do seu sacrifício como gostara do sacrifício do seu irmão Abel. Deprimido, e no auge do desespero, agarrou numa pedra e matou o seu irmão. Claro que por esta altura o mandamento que diz “Não matarás” ainda não tinha sido escrito, e por isso o pobre Caim não podia saber que aos olhos do Senhor estava a fazer uma coisa horrenda; quem se zanga porque não honrou ao Senhor não há-de ir a torto e a direito ofendê-lo de outras formas! Deus não partilhava da mesma opinião, claro; e por isso abriu as nuvens mais uma vez, e do céu desceu uma luz branca que iluminou Caim.

- Caim. Porque eu fui um Deus super justo e preferi o sacrifício do teu irmão ao teu, tu mataste o teu irmão. Achas isso bem?

- Agora que penso nisso, Senhor, não acho; mas na altura pareceu-me o indicado, já que estava mesmo tristonho por não teres gostado do meu sacrifício.

- Estás a dizer que a culpa é toda minha?

- Não, Senhor! Mil vezes não! Quer que lhe sacrifique outra hortaliça?

- Tarde demais. Agora sei que não só não me querias honrar, como me quiseste atacar pessoalmente ao matar o teu irmão Abel. Como ser omnipotente que sou, sinto-me vitimizado. Ah, e claro, foi errado porque o teu irmão Abel era inocente. Que achas que ele fez de errado, além de sacrificar um animal inocente a sangue frio em minha honra? Como prova da tua incompetência como criação obediente, vais ser ostracizado. Deves errar pelo mundo, sem parar, de um lado para o outro, e para te sentires ainda mais humilhado vais levar uma marca que te distinguirá dos outros meus Filhos.

- Até nem é um castigo assim tão mau, Senhor!

- E para a próxima vê se esventras pelo menos um elefante em minha honra. Ouviste?

Deus desapareceu de onde viera, por entre as nuvens; e Caim fez as malas e partiu para terras longínquas.

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O casal mais importante da literatura de ficção

José

Diz, Maria

Ouve-me, tenho algo importante para te dizer.

Fala



Então?

São dolorosas, as palavras…

Porquê? Que se passou?

É algo maravilhoso, mas…

Sim?

Espero que não te zangues…

Fugiu alguma cabra?

Não.

E a vaca?

Não.

E o burro?

Não. José…

Sim?

Eu estou grávida.

Maria! Que alegria! Deixa-me abraçar-te! … Mas… espera, tu não és…?



Maria? Maria, eu pensei que tu eras…

E sou!

Não me mintas! O que se passa? Diz-me a verdade!

A verdade é que… O filho não é teu.



José…?

O filho não é meu?

Não.

E estás a dizer-me isso com todo o descaramento?!

José, por favor…

Quem foi? Quem foi o malvado?! Vou apedrejá-lo!

José, por favor, deixa-me explicar-me!

Onde é que pus o meu granito Paquistanês?

José, pára com essa loucura!

Não me puxes pelo braço! O que foi?! Não chega já o que fizeste?

José, tem calma! O filho é Cristo, nosso salvador!

Desculpa?

José, senta-te aqui, olha-me nos olhos… Deixa-me contar-te. Um anjo desceu dos Céus e disse-
me que eu estava grávida, e que daria à luz o filho do Nosso Senhor, e que esta criança seria o Salvador da Humanidade!

Estás absolutamente demente!

José, deves acreditar em mim…

Que desculpa mais esfarrapada! Apareces-me grávida em casa, quando ainda esta manhã eras uma flor inocente, e dizes-me que foi um anjo?

Não foi um anjo, foi o Senhor!

Qual senhor?

O Senhor? Ele! O Nosso Senhor!

Maria, eu juro que não o apedrejo. Diz-me a verdade.

Eu estou a dizer-te a verdade.

Um anjo?

Sim! Ele desceu dos Céus com as suas asas brancas e puras para me dar a boa nova!

Como é possível teres engravidado assim?

Estás a duvidar dos poderes divinos de Nosso Senhor?

Como sabes que estás grávida? Tens a certeza?

Estou atrasada uma semana.

E como sabes que o filho é de Nosso Senhor?

Porque o anjo disse-mo, José! Não é incrível?



O que foi?

O Nosso Senhor vai assumir as suas responsabilidades como pai, certo?

José…

Maria, desonraste o meu nome e o da minha família, apareces-me grávida em casa e ainda por cima de Deus? Como queres que me sinta?

José, o nosso filho será o Cristo, irá limpar a humanidade do pecado!

A última vez que Nosso Senhor limpou a humanidade do pecado foi com uma inundação.

Deus escreve direito por linhas tortas.

Como é que ele te engravidou? Isso significa que já não és…

Não, não significa nada. Foi o Espírito Santo. Sou ainda pura como uma flor.

Ao menos isso! O Espírito Santo? Mas afinal…

José, preciso de saber se estás comigo.



José, meu marido…

O que é que queres? Sinto-me enganado! Traído! A Minha mulher, a ser engravidada por um
Espírito!

É para o bem da Humanidade!

E continuas… inocente?

Mais inocente que uma rosa.

Tenho de ir dormir. Tive um dia muito complicado na oficina e agora esta notícia está a mexer com o meu estômago. Estou a ficar com azia…

José, tens de acreditar em mim…

A minha mulher sai à rua para ir comprar queijo e dá de caras com um anjo, que lhe diz que está grávida do Espírito Santo mas que mesmo assim continua inocente… É de dar cabo de uma pessoa… Que enredo!

José, promete-me que ficarás comigo…

Ficarei, claro… Vou amar este filho como se fosse meu…

Ainda por cima ele veio para nos salvar, José…

Deus mandou o seu Filho para nos salvar? De quê?

Do castigo eterno e do pecado, penso eu…

Mas se é Deus que nos castiga quando pecamos…! Porque é que eles nos ameaça e depois nos salva logo a seguir? Aliás, porque é que ele te tem de engravidar para o fazer?

Não comeces com as blasfémias, José! Com certeza que o Filho do Senhor nos salvará de uma forma comovente, bonita e sem qualquer violência. A propósito, ouviste falar daqueles que foram crucificados ontem a tarde? Que horror, deviam proibir aquelas coisas!

Fim
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