Mostrar mensagens com a etiqueta Papa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Papa. Mostrar todas as mensagens

sábado, 20 de novembro de 2010

Espera... o quê?!

O Papa deve andar a ler o meu blog, porque decidiu descer do seu trono celestial e tocar a realidade por alguns momentos. Numa entrevista, confessou que o preservativo pode ser usado, lá muito raramente, quando a intenção da pessoa é não apanhar uma doença sexualmente transmissível como a SIDA.

E de uma assentada, o Papa destrói qualquer credibilidade que o seu emprego como representante divino poderia ter. Primeiro, a população mundial não dirá “Oh meu Deus, este é um passo de modernidade da Igreja!”; o que todos suspiraremos é “Duh, já não era sem tempo…” ou um sarcástico “Uau, a sério?!”.

Segundo, não sei se o Papa se lembra de, há uns tempos, ter dito que o preservativo era irrelevante no combate à SIDA; aliás, até piorava a situação. Ora, a suposta perfeição do Papa foi demolida… por ele próprio. O que fazemos quando uma pessoa que é, segundo a sua doutrina, o representante de Deus na Terra se contradiz? Em que devemos acreditar? Na sua palavra indubitável ou na palavra indubitável que desmente a primeira palavra indubitável?

Está decidido: O Trajectória Aleatória distingue hoje oficialmente o Papa Bento XVI com o troféu “Eu sou tão idiota que consegui comprovar que a minha própria doutrina é uma treta”. Parabéns ao Papa e a todos os católicos que continuam a dar credibilidade a tamanho imbecil. Quando também vós, com alguns meses ou anos ou décadas de atraso, compreenderem a inutilidade e a fraude que é a vossa religião, “nós” estaremos cá para vos receber.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um imbecil-tão-imbecil

NOTA: Este post pode conter linguagem ou opiniões consideradas ofensivas para muita gente. Especialmente se forem católicas.


Henrique Raposo, um felizmente desconhecido cronista de opinião do Expresso, escreveu um corajoso e (acha ele) engraçado texto sobre a visita do Papa a Espanha. E na boa tradição dos católicos, o alvo principal não é o Papa em si (já agora podiam, uma vez ou outra, comentar aquilo que o Papa diz), mas sim (surpresa das surpresas), os homossexuais.

O que choca Henrique Raposo não são os milhões gastos por Espanha na visita Papal, muito menos as palavras retrógradas do Pontífice escondidas sob uma cama de mezinhas moralistas. O que choca este cronista é o que chocaria qualquer católico sério: dois homens a dar um beijo.

Para Henrique Raposo, o protesto dos “gays-tão-gays” não é um protesto, é uma provocação absoluta. Mais; é “soft porn”. Mais ainda, é exibicionismo!

Toda esta cena tem sérios problemas. Em primeiro lugar, é uma triste demonstração de exibicionismo sexual. Se eu demonstrar o meu "orgulho heterossexual", corro o risco de ser acusado de "machista" ou "marialva", mas se umgay demonstrar o seu "orgulho gay", ah, é logo considerado um bravo libertador, um pensador da liberdade.

Henrique Caroso, com certeza, nunca deu um beijo em público, muito menos sabe a diferença entre dar um beijo e “soft porn”. Isto mostra, da sua parte, dois “sérios problemas”. Primeiro, é curioso que alguém tão sexualmente reprimido se sinta preparado para opinar sobre os comportamentos dos outros. Como podemos levar alguém a sério quando diz que dois homens a dar beijos é soft porn? Isso significa, com certeza, que quaisquer duas pessoas a dar beijos na rua é exibicionismo. Henrique Carodoso, sempre que dá um beijinho à sua esposa (se a tiver), é com certeza um exibicionista machista. Ainda bem que não o faz em público. Isso seria uma provocação.

Segundo, há uma razão pela qual as pessoas começam a olhar para os gays como “bravos libertadores”: elas começam a perceber que não há nada de errado em dois homens ou duas mulheres aos beijinhos, muito menos em público; e que a posição da Igreja tem mudado ao longo dos anos. Hoje, os católicos tratam os homossexuais como pequenos desequilibrados sexuais. Há quinhentos anos, acenderiam a fogueira ou excomungariam o indivíduo. Ou pior. A civilização avança, e talvez um dia Henrique Raposo (que, pelos vistos, até já sabe usar a Internet) avance com ela.

Segue-se mais um comentário muito engraçado. Sim, porque Henrique Cardoso tem muita piada, ainda não se notou? Veja-se:

Depois, vamos lá ver uma coisa: o que é isso de "orgulho gay"? Se o desejo homossexual é tão natural como o desejo heterossexual, porque razão aquelas pessoas têm orgulho numa coisa que é natural? Se o desejo é natural, então a parte do "orgulho" não faz sentido.

Lógica implacável. Apliquemo-la: É natural um pai ter orgulho do seu filho? Sim. Logo, esse orgulho não faz sentido nenhum. É natural casar-me com a minha mulher? É. Logo, é estúpido ter orgulho na nossa vida a dois. Henrique Cardoso não sabe o que é ter orgulho. Ainda bem. Assim significa que não deve ter orgulho naquilo que escreve, o que faz dele uma pessoa mais sensata do que pode parecer à primeira vista.

Em segundo lugar, estas atitudes revelam uma profunda intolerância. Aquelas pessoas querem o quê? Querem que o Papa diga que o casamento gay é a melhor coisa do mundo? Meus amigos, o Papa e os católicos têm o direito às suas opiniões. Os católicos têm o direito de dizer que o casamento gay não devia ser legal. As opiniões são livres. No fundo, aqueles gays não toleram a ideia de alguém a pensar de forma diferente da sua. É sempre assim: os auto-proclamados donos da tolerância têm uma estranha atracção pela intolerância.

Primeiro que tudo, Henrique Cardoso não percebe a diferença entre “opinar” e “influenciar”. A razão por que muita gente a favor dos homossexuais não tolera a Igreja Católica não é por aquilo que esta opina; é pelas consequências práticas dessa opinião. A mim pouco me importa que um velho deplorável ache que a “Família” deve ser assim e assado; desde que esse velho deplorável não defina, através da simples autoridade religiosa, a forma de pensar de milhões de pessoas em todo o mundo, que vêem a sua palavra não como uma “opinião”, mas como um facto.

E, mais uma vez, Henrique Cardoso é incapaz de ver a falácia no seu próprio texto. Estará, com certeza, mais preocupado em torná-lo engraçado. Senão vejamos: Para ele, os homossexuais são intolerantes. Porquê? Ninguém está a exigir a ninguém que mude de opinião. Se há alguém que se auto-proclama dono da tolerância é o grupo de pessoas que garante que Jesus existiu, e que quer que toda a gente se ame a torto e a direito… desde que não sejam homossexuais exibicionistas, claro!

Resumindo: os representantes na Terra do Deus mais benevolente e tolerante que se pode imaginar defendem abertamente que os homossexuais são seres que não merecem o mesmo tipo de direitos que as outras pessoas; e os homossexuais, que procuram chamar a atenção para a normalidade e inocência das suas identidades sexuais, são um grupo de intolerantes exibicionistas. Não se pode acusar Henrique Cardoso de falta de coerência, muito menos de capacidades intelectuais. Afinal, ele é católico. Aquilo sai-lhe naturalmente. Os leucócitos intelectuais de Henrique Raposo não lhe permitem avaliar, na totalidade, o que é uma contradição intrínseca no seu raciocínio.

Segue-se a última infantilidade, também esta típica dos católicos:

Em terceiro lugar, estas demonstrações contra a - suposta - homofobia do Papa revelam uma profunda hipocrisia. Se quisessem mesmo lutar contra a homofobia motivada por líderes religiosos, estes gays podiam ir dar beijinhos para as portas das mesquitas (estou certo de que existem mesquitas em Espanha). Na Europa, as tais "comunidades muçulmanas" são rainhas e senhoras da homofobia. Portanto, a pergunta tem uma lógica cristalina:por que razão estes gays valentões não vão dar beijinhos à frente das mesquitas? Ide, valentes. Ide dar beijinhos ao pé do senhor imã.

Eu respondo à “lógica cristalina” deste guru: A razão porque os homossexuais se manifestam junto das autoridades católicas e não islâmicas é porque o peso das duas religiões, em países como a Espanha ou Portugal, não pode sequer ser comparável. A Igreja Católica faz muitíssimo mais pelo retroceder dos direitos civis dos homossexuais do que qualquer comunidade islâmica europeia; aliás, a grande maioria da população ibéria considera-se cristã ou católica, e não islâmica. A razão porque os homossexuais protestam contra a Igreja é porque esta é a sua principal antagonista, a principal força supersticiosa e retrógrada que leva a opinião pública a manter uma visão apertada e ignorante dos ateus, homossexuais, ou de temas como o aborto ou a eutanásia.

Em resumo, caro Henrique Raposo, a razão porque o menino e os outros católicos são perseguidos afincadamente é porque vocês não se calam com esses disparates. E até o dia em que a maioria da população compreenda que a vossa “opinião” leva à intolerância e ao fanatismo, e que a “nossa” leva à compreensão, à cooperação e à liberdade, o Papa continuará a ser (bem) recebido com este tipo de “exibicionismos”.


http://aeiou.expresso.pt/os-igaysi-valentoes=f614154

.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Papa toca violino

Casamento "natural". O Papa Bento XVI voltou ontem a criticar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, defendendo o matrimónio entre homem e mulher como modelo a seguir. "As condições de vida mudaram e com elas avançaram enormemente os progressos técnicos, sociais e culturais. Não podemos contentar-nos com esses progressos. Com eles devem vir sempre os progressos morais, como a atenção, a protecção e a ajuda à família, já que o amor generoso entre um homem e uma mulher é o marco eficaz e o fundamento da vida humana na sua génese, no seu nascimento, no seu crescimento e no seu fim natural"

O Papa confunde “progresso” com “cá para mim o ideal era continuarmos todos a ter leis que defendam a posição retrógada da minha Igreja”. Para o Papa, o progresso ideal é a não-evolução. É a estagnação moral. E pior que tudo, a meu ver, o Papa nem tem a decência de dizer abertamente que é contra o casamento homossexual. Ou contra as famílias monoparentais (releiam a sua declaração e vejam lá se não se enquadra). Em vez disso, o Papa mistura a sua homofobia com um discurso coerente mas fraco, cheio de palavras carinhosas que fazem dele “uma figura bonita”, como muitos fiéis o escrevem. Esses fiéis ou concordam com ele e o escondem também atrás de “o que importa é a esperança que ele traz”, ou são analfabetos.

O Papa confunde também “apoio à natalidade” com “proibição do aborto”. Reparem que o Papa não defende que deve ser obrigatório ter filhos, ou proibido que um casal decida não reproduzir-se. Muito menos defende apoios concretos. O Papa fala apenas do aborto não por uma preocupação genuína com a natalidade, mas sim por causa da carga religiosa que o tema carregar. Neste ponto, o Papa mostra mais uma brutal desonestidade. Ao invés de defender aberta e corajosamente a sua doutrina, mascara-a com falinhas mansas sobre como:

"a natalidade seja dignificada, valorizada e apoiada jurídica, social e legislativamente".

Ouve-se suspiros na multidão. O Papa é tão doce, tão carinhoso!

Falta-lhe a coragem de dizer: “Ouça, vamos lá deixar tudo bem claro. Os ateus são violentos, o aborto é uma abominação perante Deus e os homossexuais, desculpem lá, mas deviam ser impedidos de casar ou, Deus nos livre, tentar criar uma criança”.

Se não percebem qual é o truque por ele usado, pensem no Hitler a dizer algo como:

“O que desejamos é que todos aqueles que pertencem ao mesmo grupo de crenças e características físicas possam, em conjunto, defender os nossos lindos ideais comuns, e assim proteger o que é para nós a mais sagrada das populações: a ariana. Desejamos a protecção nas nossas crianças e um futuro melhor para elas, e apenas isso. E sentimos que é nosso dever perante as gerações futuras defender a todo o custo o seu saudável crescimento num mundo onde possam crescer rodeadas de outras crianças bonitas e limpinhas como elas.”


http://www.ionline.pt/conteudo/87358-espanha-papa-defende-que-o-estado-deve-ajudar-familias-heterossexuais

domingo, 16 de maio de 2010

Momento de emoção: O Papa consegue repetir sons depois de os ouvir

Este é provavelmente o vídeo que mais me fez rir em muito, muito tempo.




A comoção despertada em Cavaco Silva por uma coisa tão minúscula como esta foi partilhada com certeza por muitos católicos, que ao mínimo avistar do Santo Padre se desfaziam em lágrimas de emoção. Realmente para um Papa que fala uma série de línguas dizer "Mariana" é a prova do seu carácter divino. Sim; há uma coisa chamada irracionalidade.

.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Isto é uma visita de Estado como outra qualquer

As hilariantes reacções das pessoas que viram o Papa ao vivo durante o dia somavam-se, mas a mais repetitiva era também a mais engraçada: “Ele parece mais simpático ao vivo do que na televisão”.
É giro ver como tudo o que o Papa tem de fazer é sorrir e acenar a uma multidão, desde que seja ao vivo, para levantar emoções e parecer logo muito mais simpático. Ouvi até uma jornalista descrever, num estonteante momento de objectividade jornalística, o sorriso do Papa como “sincero”.
Seja. O sorriso era sincero; mas tal como o Sousa Tavares disse e muito bem, o Papa e a Igreja precisavam exactamente disto: uma multidão a seus pés, sublinhando-lhe a simpatia e a caridade, e cantando alegremente à sua volta. Numa altura em que a ida do Papa a qualquer país (isto diz Sousa Tavares, e muito bem) levantara muitos problemas políticos em qualquer país europeu, a sua vinda a Portugal foi tão bênção para os católicos, que se sentiram como fãs da Madona à espera de um espectáculo, como para o próprio Papa, que hoje surgirá nos noticiários do mundo rodeado por uma multidão em delírio espiritual.
A propósito, queria agradecer a quem teve a brilhante ideia de dar a tolerância de ponto e que como consequência fechou muitas das escolas (publicas) da capital. A aula de Desenho dava-me mesmo muito jeito, sabem, porque tenciono obter uma educação. Deixem lá.
Mas esperem… Pessoas fãs de uma figura pública, que aguardam durante horas ao calor ou ao frio só para visualizar por momentos apenas o seu ídolo, e que no fim saem comovidos e emocionados do breve avistamento? Isso faz-me lembrar qualquer coisa!



quinta-feira, 6 de maio de 2010

Lá vou eu ofender os católicos outra vez...

No Facebook há uma página - com milhares de fãs - sobre uma acção de sensibilização para a luta contra a sida que prevê a distribuição gratuita de preservativos durante a visita do papa ao país, de 11 a 14 de Maio.
Os organizadores, a propósito, já sublinharam a importância de que não vão interromper nenhum serviço religioso, muito menos provocar os fiéis de nenhuma forma. No entanto, Manuel Morujão, o porta-voz da COnferência Episcopal, já veio dizer de sua justiça.
Para o responsável, a visita (do Papa) é um acto de «acolhimento de um chefe de Estado» e não de «propaganda de nenhuma campanha»
Então pois claro que é. Lembram-se de um único chefe de Estado, sem ser o Papa, que não tenha celebrado missa em duas cidades portuguesas? Isto é tudo uma visita de Estado, seus burros! Alás, o Governo está já a preparar a tolerância de ponto para quando cá vier o Presidente da Somália.
O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa considera que «Cada um é livre para fazer aquilo que quiser, mas o respeito fica bem a qualquer pessoa de esquerda ou de direita, católica ou agnóstica ou ateu», considerando que «vai prevalecer o bom senso para que cada coisa tenha o seu lugar».
A mensagem a reter é a de paz, amor, e respeitinho. “Cada um é livre de fazer aquilo que quiser”… desde que não ofenda o bom senso católico.
A planeada distribuição de preservativos, que se aproveita claramente e de forma inteligente da burrice papal (quem não se lembra do fiasco “preservativos são maus para a SIDA”?), chamará a atenção para uma mensagem importante, de um problema real do mundo real. É de louvar, não de apelidar de “propaganda de uma campanha”. O que a Conferência deveria apelar era não ao bom senso, mas sim ao uso do preservativo. Isso sim salvaria vidas.
.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Eu Acredito (porque sim e porque sim e porque sim) e as crianças católicas

Cuidado: a aridez de raciocínio presente neste vídeo
pode provocar danos irreparáveis.

Hoje na Praça da Alegria foi apresentado um projecto chamado “Eu Acredito”, um movimento que se destina a acompanhar e festejar a visita do Papa Bento XVI. A própria vinda do Papa está já a encher os telejornais, mas hoje queria concentrar-me neste projecto particular.
Assim que liguei a televisão, uma visão assustadora. Um enorme coro de crianças pequenas cantava o hino do movimento erguendo as mãos ao ar e dizendo:
Na Fé O vejo: eu acredito!
Na igreja O escuto: eu acredito!
No Amor O toco: eu acredito!
Por isso eu digo: eu acredito!
De seguida a jovem responsável pelo coro falou com Jorge Gabriel, confessando que esta era uma forma de espalhar a sua fé que, hoje em dia, estava muito mal vista. “As pessoas parece que têm vergonha de dizer que têm fé”.
Ver todas aquelas crianças a cantar com tamanha alegria e convicção seria bonito e até comovente, não fosse o conteúdo da sua mensagem. Todas elas tinham entre cinco a oito anos, não mais, e duvido muito que alguma delas esteja em idade de sequer compreender e avaliar de forma crítica aquilo que estavam a dizer. Muito menos devem ter escolhido o catolicismo acima de qualquer outra religião por decisão própria, mas sim porque, na esmagadora maioria dos casos, é essa a religião dos seus pais. Apresentá-las então como “crianças cristãs” é errado. Tal como diz Richard Dawkins, não existem crianças democratas, crianças republicanas ou crianças comunistas; então porquê apelidá-las de “católicas”?
Quando, um dia, tiver um filho, tenciono ensinar-lhe como pensar, e não o quê. Tenciono educá-lo sobre todas as religiões, e sobre como muita gente não as tem. Tenciono dar-lhe os mecanismos de que precisa para ser ele a tomar uma decisão, e não eu a tomá-la por ele. Se calhar sou eu que estou enganado.
Aqui se apresenta uma das grandes vantagens que a religião tem como vírus social. Tudo o que é preciso é apanhar as crianças numa idade em que não reuniram as capacidades suficientes para sequer questionar ou avaliar aquilo que lhes dizem e põem a cantar; e, crescendo assim, torna-se “crença” óbvia e mais que comprovada. A letra diz tudo: “Eu acredito, eu acredito, eu acredito”; e basta.
Mas qual será então o problema de acreditar? Qual o problema de ter fé? E, principalmente, porque é que ter fé não é uma coisa boa? Não será uma virtude, acreditar em “algo superior”? O problema é que quando se “acredita” (ou, no caso de muitas crianças, se é educado a acreditar) a nossa forma de encarar e interagir com o mundo deixa de ser o mais objectiva possível, adoptando uma visão que se limita à nossa religião. Há uma razão para as pessoas “gozarem” com quem é católico hoje em dia, e a própria responsável pelo movimento Eu Acredito mostrou-o em directo e sem sequer se dar conta.
Jorge Gabriel perguntou-lhe qual a sua opinião sobre os recentes casos de pedofilia, e se não seria natural a desconfiança e dúvida sentida pelas pessoas em relação à Igreja Católica. A senhora balbuciou, saltitando de frase em frase até emergir com a sua mensagem principal: “Acho que os padres pedófilos deveriam ser afastados, mas não devemos confundir os assuntos do Homem com os assuntos de Deus. Se o Papa Bento XVI decidiu só falar agora sobre os casos e não muito antes, ele terá as suas razões que com certeza serão compreensíveis; e acho que as pessoas deveriam aprender mais sobre as coisas antes de começarem imediatamente a criticá-las”.
Que mulher ignorante! O Papa não “decidiu falar agora”; ele foi forçado pela opinião internacional a explicar porque raio é que os casos de pedofilia na igreja se multiplicavam como coelhos; e, principalmente, porque é que a sua assinatura foi parar a papéis que moviam padres de uma paróquia para a outra de modo a proteger a Igreja. Parece-me que quem devia aprender mais sobre o que diz não são os temíveis lobbies anti-igreja mas sim os próprios católicos, cuja sede de protecção os faz justificar até o mais hediondo dos crimes.
A racionalização feita por aquela mulher demonstra como o nosso pensamento pode ser alterado e moldado pelo pensamento religioso. Passam a justificar as acções do Papa e não são capazes de fazer a mais óbvia e importante de todas as perguntas: “E se eu estiver errado?”.
Talvez seja este o tipo de católico preguiçoso que impere em Portugal, e talvez por isso a separação do Estado e Igreja esteja tão fraquinha ultimamente. Faltam apenas alguns dias para a orgia espiritual que vai fechar a cidade a uma terça feira e fazer um Estado laico pagar milhões em segurança, infra-estruturas e tolerâncias de ponto. Entretanto, o aparente mão-de-obra de um dos maiores escândalos da Igreja Católica desde o tempo da Reforma vem a Portugal e será recebido com honras que nenhum outro chefe de estado alguma vez recebeu. Realmente, qual é o problema da religião?
Resta aos pobres católicos portugueses, a gozada e mal tratada minoria (como aliás se apresentam) demonstrar a sua Fé, que é íntima e pessoal com Jesus, a todos aqueles que, por serem ateus ou não-religiosos, não a querem ouvir.
___________________________________________________________
E já agora, porque tem que ver com este post e com o que disse sobre as crianças,

.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Portugal: um bocadinho mais perto da teocracia!

O governo decidiu dar tolerância de ponto ao funcionários públicos durante a visita do Papa.


O Governo decidiu dar tolerância de ponto a todos os trabalhadores da Administração Pública no dia 13 de maio por ocasião da presença do Papa Bento XVI em Portugal, disse hoje à Lusa fonte oficial do executivo.

A mesma fonte adiantou à agência Lusa que será também concedida tolerância de ponto aos funcionários públicos em Lisboa, na parte da tarde do dia 11 de maio, assim como no Porto, na parte da manhã, no dia 14 de maio.

O que é estranho, se pensarmos numa série de pormenores com certeza pouco importantes:

1) Vivemos num Estado laico

2) Dar a tarde à função pública tem custos para o País

3) O Governo é financiado pela população

Destas três premissas segue uma única conclusão: dinheiros públicos vão pagar a folga temporária dos trabalhadores de um Estado laico para que estes possam ir ver ao vivo o seu líder religioso.

Detesto ser um radical ateu sem morais nem tolerância pelas crenças alheias, mas não vos parece que há aqui qualquer coisa de errado?

.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O Papa vem a Portugal...

... e há quem esteja a pedir tolerância de ponto para a malta poder ir vê-lo; como se o Papa fosse algum espectáculo da Madona, que valha mesmo a pena ver ao vivo.

A minha embirração com o Papa, não só como figura mas também com este Papa em particular, já é velha; mas não me parece que se justifique tamanhos preparativos para uma visita oficial. É o Papa, sim (como se ser Papa fosse, por si só, um cargo de extrema importância ou responsabilidade não fosse o facto de se tratar apenas de um lugar simbólico e influente apenas aos fiéis que levam a figura a sério). Como estava a dizer, é o Papa. Eu sei. E? Vamos agora construir altares (que, a propósito, serão pagos parcial senão totalmente com dinheiro público) e oferecer tolerância de ponto a toda a gente que o quiser ir ver dizer o quanto estamos todos afastados de Jesus?

Pergunta: Se viesse cá um líder religioso islâmico a festa seria a mesma?

.