sábado, 13 de agosto de 2011
Setenta e Sete
terça-feira, 9 de agosto de 2011
O Trajectória Aleatória foi a Londres
domingo, 7 de agosto de 2011
O Trajectória Aleatória foi à praia
domingo, 24 de julho de 2011
A definição de redundância
domingo, 12 de junho de 2011
Sardet no coração
Tem mil anos de perdão,
Só se for guardado junto ao coração
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Este post é um milagre
Era uma vez um grupo de pessoas totalmente objectivas que se reuniram à volta de uma construção gigantesca e desnecessária para mostrar o quanto são bons seguidores.
Eis senão quando aparece um arco-íris no céu.
O grupo de pessoas ficou completamente louco. Aquele fenómeno absolutamente natural era, sem dúvida nenhuma, a demonstração empírica da existência da sua interpretação pessoal de um pai celestial.
Mas não gozemos com coisas sérias. Esses seguidores têm todo o direito às suas certezas profundas. Quem serei eu para criticar alguém que cai de joelhos a chorar quando vê um arco-íris no céu?
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Vou tentar explicar de forma a que consigam entender:
quinta-feira, 10 de março de 2011
Jovem sofredor
O Jovem levantou-se da cama, esperguiçou-se e coçou o rabo. Saiu do quarto e foi até à cozinha, onde o pai lia o jornal sobre um prato com torradas e a mãe, de roupão, fazia café.
- ‘Dia – disse o Jovem.
- Bom dia, filho.
- Sabem, tomei uma decisão.
O pai observou-o do topo da secção de desporto e a mãe pousou a chávena de café sobre a bancada.
- Quero um emprego.
O pai e a mãe entreolharam-se.
- Eu acho óptimo, querido – disse a mãe.
- Sinto que está na altura de a sociedade me dar valor. Sabem, porque sou especial – o jovem puxou para si uma torrada e mordeu-a – E vocês sabem como isso é verdade.
- Claro que sabemos, filho – disse a mãe.
- Aliás, eu penso que já não era sem tempo – comentou o pai – Desculpa, mas é verdade.
- Tu sabes perfeitamente que eu estava ali a qualificar-me – disse o Jovem – Isso dá trabalho.
- Claro que sim, claro que sim – disse a mãe, bocejando – Desculpa, querido, mas tenho de ir trabalhar. Ficas bem?
- Podes dar-me doce?
A mãe tirou um frasco de doce do frigorífico e estendeu-o ao filho.
- Também vou – disse o pai, dobrando o jornal e limpando-se ao guardanapo.
Os pais saíram de casa e o Jovem terminou calmamente a sua torrada. Depois foi para o quarto observar o seu diploma, um papel lindíssimo com um selo que reflectia a luz do candeeiro. Depois foi um pouco para o Facebook, comentar com os colegas a sua complicada situação. Depois vestiu-se, agarrou no megafone, e reviu os seus gritos de ordem para a manifestação dessa tarde.
Não ia parar de se esforçar para sair da sua situação precária. Nunca desistiria. Até o meterem a trabalhar em alguma empresa, onde lhe dessem festinhas no cabelo e lhe oferecessem doces e elogios, nunca desistiria. Respirou fundo e saiu de casa, preparado para outro dia no mundo real.
sábado, 25 de dezembro de 2010
A defesa da privacidade pública
Aviso os alunos e seus encarregados de educação que as classificações do 1º período se encontram afixadas em pauta nas vitrinas disponíveis na escola e também publicitadas no GIAE online.
O director, em 21.12.2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Eu faço greve porque posso, e tu fazes greve porque eu quero fazer greve. Vivam os direitos dos trabalhadores!
E aqui estou, em casa, quando devia estar na escola a trabalhar. A escola está aberta (penso eu), mas os meus professores avisaram logo que iam fazer greve e que por isso não teríamos aulas. Estão no seu direito. O seu direito inclui, é lógico, prejudicar o calendário das aulas e os trabalhos que estamos a desenvolver. É menos uma aula que eu e os meus colegas temos para terminar trabalhos que por si só já estão atrasados. Mas é um direito, e acabou-se. Eu percebo perfeitamente que o seu direito de se baldar às aulas e ficar em casa a descansar o intelecto está muito acima na sua lista de prioridades da sua obrigação primordial, que é educar-nos. E ainda bem que temos professores que lutam pelos seus direitos. Eu não quero professores que me dêem aulas, quero é pessoas que saibam reclamar de uma forma que mais ninguém senão eles e os alunos, os prejudicados, sentirão.
Não serei o único. Há muita gente que, graças ao altruísmo de quem faz greve, não pode apanhar o comboio, o metro ou o autocarro para ir trabalhar. O país pagará, em milhões, a imobilização de milhares de pessoas. Mas os sindicatos não querem saber.
Isto percebe-se, claro, nem que seja por um facto inegável: as greves resultam. Não só resultam, como foi graças a greves como esta que as grandes mudanças de política na História foram conseguidas. Veja-se a Revolução Francesa, ou o 25 de Abril. É claríssimo que, amanhã, todos os governantes e partidos da oposição se vergarão à vontade popular. “Caramba”, dirão eles, “Os trabalhadores têm razão. Vou agora comover-me durante alguns minutos, chorar, pedir desculpas públicas, e depois reverter todas as decisões tomadas neste Orçamento de Estado. E à tardinha vou para a rua, distribuir dinheiro”.
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sábado, 7 de agosto de 2010
Porque rir com a imbecilidade alheia dá gosto
















quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Uma homenagem a sério
O Facebook veio simplificar uma série de coisas que já toda a gente sabe quais são; mas uma dessas simplificações quase nunca recebe comentários.
Com o Facebook, tornou-se extremamente simples fazer as coisas que antes exigiam qualquer tipo de trabalho ou esforço, como dar os parabéns à família e amigos (é só deixar um comentário no “mural”) ou, sei lá, homenagear alguém. Graças ao Facebook, tudo o que temos de fazer é clicar num botão que diz “Join group” ou “Like” e pronto, está homenageado. O nosso apoio, de alguma forma, fica registado; apesar de não haver, do ponto de vista real, qualquer homenagem ou apoio material ou palpável.
No grupo em questão, uma comentadora diz até, cito,
Tive o previlégio de ter sido amiga virtual de ANTÓNIO FEIO,um homem que lutou com todas as suas forças até ao fim,o meu pesar para toda a sua familia e amigos.BRAVO ANTÓNIO!NUNCA SERÁS ESQUECIDO,DESCANSA EM PAZ.
Reparem nas maiúsculas, que servem, em linguagem de Internet, para mostrar como a pessoa está mesmo muito emocionada e a falar a sério. O “privilégio” de ser amiga virtual. Lindo!
Quando uma demonstração de afecto humano e de homenagem sentida é um clique de um botão, não há forma de defender seriamente que as redes sociais aproximam as pessoas; pelo contrário, plastificam o contacto humano.
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
Os critérios utilizados no programa “Achas que Sabes Danças?” explicados com uma analogia
domingo, 31 de janeiro de 2010
A Fada dos Dentes existe, e eu posso prová-lo
Todos nós já experenciámos a Fada dos Dentes, de uma forma pessoal e directa. Em pequenos, quando perdemos os dentes de leite, somos encorajados pelos nossos pais a colocá-los debaixo da nossa almofada porque, dizem os nossos pais, a Fada dos Dentes virá colectar os nossos dentes e trocá-los por prendas ou dinheiro. Aqui está o primeiro argumento para a existência da Fada dos Dentes: porque é que os nossos pais nos iriam mentir? Teriam razões para o fazer? Os nossos pais gostam de nós, preocupam-se connosco e querem proteger-nos. Porquê, então, alimentar em nós uma crença fútil e infundada? Estão a dizer que todos os pais de todas as crianças do mundo são mentirosos cruéis?
Quando finalmente colocamos um dente debaixo da almofada pela primeira vez e adormecemos calmamente, temos algum medo do que possa acontecer. Como será que a Fada dos Dentes fará a troca? Poderemos senti-la? A verdade é que (e aqui entra a segunda prova da sua existência) a Fada dos Dentes troca o nosso dente (do qual ela fará um fantástico uso, e por isso nos recompensa) por dinheiro ou por uma prenda de forma tão subtil e mágica que não o sentimos durante a noite, muito menos podemos explicar como o fez. Não há nada no nosso quarto ou na nossa casa que possa alguma vez facilitar a entrada de um ser mágico sem ser visto ou ouvido; isto porque, obviamente, a Fada dos Dentes está fora das normais formalidades físicas em que vivemos. Para a Fada dos Dentes não há portas fechadas nem trancas nem escadas a ranger: há simplesmente o carinho por nós.
Porém, reparem, ela podia simplesmente levar-nos o dente e ignorar-nos completamente; no entanto, ela ama-nos de uma forma tão fantástica que está disposta a recompensar-nos o gesto de lhe dar o nosso dente. Isto demonstra claramente que a Fada dos Dentes nos ama; porquê, não-crentes, ignorar um amor assim? Estarão zangados com a Fada dos Dentes? Terá havido uma ocasião nas vossas vidas em que não receberam, em troca do vosso dentinho, o presente desejado? Porquê negar assim a óbvia existência de um ser que vos adora? Como acham que a Fada dos Dentes se sentirá ao saber disto?
Portanto, vocês acordam de manhã e o dente já lá não está; melhor, em vez dele, está uma nota, uma prenda, ou algo que vos traz alegria. Esta é a melhor demonstração física do poder e influência da Fada dos Dentes, e que não pode ser negada. Os não-crentes não podem provar que a Fada dos Dentes não fez esta maravilhosa troca, da mesma forma que não podem provar que ela não existe. Porquê inventar outra explicação quando a verdade é tão bela? A Fada dos Dentes vem, leva-nos o dente e deixa-nos uma prenda. Que mal há nisso?
Os não-crentes acreditam não na Fada dos Dentes, mas sim que são os nossos pais quem faz a troca do dente pelo presente; apesar, claro, de todas as evidências já apresentadas. Tentam ainda revelar a minha suposta "falácia" com a seguinte sugestão: Se estás tão certo que a Fada dos Dentes existe, então porque não testá-la? Sugerem eles colocar uma criança a dormir num quarto controlado, em que ninguém pode entrar ou sair, e repleto de câmaras de vigilância nocturna e outros sistemas de controlo de movimento. Pretendem eles, com esta ridícula parafernália supostamente científica, mostrar que se nenhum pai entrar no quarto da criança para fazer a troca, a criança acordará dali a umas horas com o dente debaixo da almofada. Isto, dizem eles, prova que a Fada dos Dentes não existe, e que são os pais os responsáveis pela troca!
Que ridícula suposição! Mesmo que esta experiência seja levada a cabo (e já foi, por uma equipa de mal intencionados cientistas que dedicam as suas carreiras a destruir os sonhos e esperanças a todas as crianças do mundo) e mesmo que os resultados apontem para que 1) sempre que ninguém entrar no quarto para realizar a troca essa mesma troca não acontece, e 2) não há nenhuma actividade registada no quarto em todos os casos em que a troca não é efectuada com sucesso e em que nenhum adulto entra no quarto, isto NÃO prova a não existência da Fada dos Dentes!
Senão vejamos: Nos casos em que nenhum adulto entrou no quarto para trocar o dente pela prenda, os não-crentes estão à espera de ver as suas câmaras e outros aparatos electrónicos captar a mágica presença da Fada dos Dentes. Enganam-se! Porque iria a Fada dos Dentes mostrar-se de forma tão flagrante e gratuita, só para que uma elite de intelectuais fique satisfeita? A Fada dos Dentes tem muitos outros dentinhos para coleccionar, vindos de pessoas honestas e que não só acreditam nela, como não duvidam da sua existência. A Fada dos Dentes prefere estar na companhia de quem a ame e queira ajudar, não num laboratório a provar a sua existência para a satisfação de alguns que não acreditam porque não querem!
Os não-crentes argumentam ainda que é necessário um adulto entrar no quarto e efectuar a troca para que a criança, de manhã, acorde sem o dentinho debaixo da almofada e com a prenda ao seu lado; e que isto, de alguma forma, prova que são os pais os responsáveis únicos pela troca e não a Fada dos Dentes! O problema que os não-crentes, na sua mentalidade fechada e reduzida, não conseguem resolver, é o seguinte: os pais das crianças são o mecanismo que a Fada dos Dentes utiliza para efectuar as trocas! Não interessa se podemos provar que há alguma coisa física, material ou natural a provocar um fenómeno: esse processo físico é a forma que a Fada dos Dentes utiliza para comunicar com o mundo material em que nós, limitados humanos, vivemos!
Não só cobri todas as provas empíricas e científicas que comprovam a existência da Fada dos Dentes, como provei conclusivamente que os argumentos dos não-crentes, se bem que aparentemente fundamentados, não passam de acusações e especulações. Teorias! Porque não poderão os não-crentes simplesmente aceitar a Fada dos Dentes, em toda a sua beleza e majestade, e parar de tentar provar a sua não existência? Porquê estragar a infância a tantas crianças só porque VOCÊS não conseguem lidar com a verdade?
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Mulher descobre buço depois de tomar a Vacina da Gripe A
A mulher, de 55 anos, foi vacinada na segunda-feira de manhã, no centro de saúde da sua região. Apenas dois dias depois, na última quarta, foi vista na mercearia da região com um enorme buço, o qual nunca ninguém tinha reparado.
“Não é normal”, disse uma vizinha, que deseja permanecer anónima “Estas coisas das vacinas são tudo uma conspiração globalizada dos governantes e dos farmacêuticos para destruir as populações e controlar a natalidade. Eu sei, que o meu primo é farmacêutico e ele sabe dessas coisas “
A mulher, que é proprietária de um aviário e vê o “Serviço de Urgência” às segundas-feiras, garante que a única causa médica que pode explicar o seu buço é a vacina da gripe A.
Entretanto, numa notícia em nada relacionada, a comunidade de cientistas e médicos a nível mundial garante a segurança da vacina da gripe A, depois de milhares de vacinações em todo o mundo terem decorrido com normalidade.
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sábado, 14 de novembro de 2009
Portugal, Futebol e uma molécula qualquer esquisita
Com certeza que neste momento está toda a gente a ver o jogo da selecção, e por isso demasiado ocupados para reparar em tais trivialidades. Quando vos passar o patriotismo vão espreitar a tal notícia.
Uma equipa de cientistas portugueses foi premiada com o Prémio Grunenthal Dor pela descoberta de um fármaco com capacidades analgésicas que pode vir a ser usado no combate à dor e na terapia de doenças neuro-degenerativas, como a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson.
Nada de especial, até aqui. Não se percebe até que ponto esta coisa de combater as doenças neuro-degenerativas se possa sequer comparar com o Cristiano Ronaldo ter o joelho entrevado. Continua a notícia, explicando na prática o que isto tudo significa significa:
Os cientistas basearam-se numa molécula com propriedades analgésicas já conhecidas, a quiotorfina. Contudo (…) esta era incapaz de chegar ao cérebro, o que impossibilitava a sua utilização como analgésico. A fim de contornar este impedimento, a equipa de investigadores desenhou uma nova molécula derivada da quiotorfina que mantém as propriedades analgésicas e tem capacidade de atravessar membranas biológicas (…) A patente do medicamento já foi registada e, além disso, já há um financiamento europeu para o seu desenvolvimento industrial.
Enquanto nós, pessoas sérias e patrióticas, nos perdemos em acutilantes elogios e longos tempos de antena dedicados aos nossos heróis nacionais, esses grandes jogadores de fubetol, andam por aí estes tipos a brincar aos médicos, e que lá se vão lembrando de umas coisas, patenteando medicamentos absolutamente inúteis e gastando o dinheiro europeu (em estádios?) em trivialidades, como o combate às doenças degenerativas. Temos cientistas portugueses a redesenhar moléculas para o bem da população, mas porque é que isto me deveria interessar mais do que as fintas e os penaltis?
Chega de sarcasmos. Faço questão de deixar aqui esta mensagem de parabéns aos cientistas em questão, que parecendo que não fizeram mais por todos nós com uma molécula do que o Cristiano Ronaldo alguma vez fará com os seus golos.
Parabéns às televisões, que ignoram acontecimentos como estes; parabéns aos organismos do estado, sempre a apoiar a ignorância científica do povinho que lá vai deixando passar estas coisas. Parabéns a Portugal, se ganhar o jogo. Se não ganhar, parabéns na mesma. O que interessa é o orgulho nacional, não é?
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