quinta-feira, 6 de maio de 2010

Lá vou eu ofender os católicos outra vez...

No Facebook há uma página - com milhares de fãs - sobre uma acção de sensibilização para a luta contra a sida que prevê a distribuição gratuita de preservativos durante a visita do papa ao país, de 11 a 14 de Maio.
Os organizadores, a propósito, já sublinharam a importância de que não vão interromper nenhum serviço religioso, muito menos provocar os fiéis de nenhuma forma. No entanto, Manuel Morujão, o porta-voz da COnferência Episcopal, já veio dizer de sua justiça.
Para o responsável, a visita (do Papa) é um acto de «acolhimento de um chefe de Estado» e não de «propaganda de nenhuma campanha»
Então pois claro que é. Lembram-se de um único chefe de Estado, sem ser o Papa, que não tenha celebrado missa em duas cidades portuguesas? Isto é tudo uma visita de Estado, seus burros! Alás, o Governo está já a preparar a tolerância de ponto para quando cá vier o Presidente da Somália.
O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa considera que «Cada um é livre para fazer aquilo que quiser, mas o respeito fica bem a qualquer pessoa de esquerda ou de direita, católica ou agnóstica ou ateu», considerando que «vai prevalecer o bom senso para que cada coisa tenha o seu lugar».
A mensagem a reter é a de paz, amor, e respeitinho. “Cada um é livre de fazer aquilo que quiser”… desde que não ofenda o bom senso católico.
A planeada distribuição de preservativos, que se aproveita claramente e de forma inteligente da burrice papal (quem não se lembra do fiasco “preservativos são maus para a SIDA”?), chamará a atenção para uma mensagem importante, de um problema real do mundo real. É de louvar, não de apelidar de “propaganda de uma campanha”. O que a Conferência deveria apelar era não ao bom senso, mas sim ao uso do preservativo. Isso sim salvaria vidas.
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4 comentários:

Paulo39 disse...

É curioso é que só se lembrem de criar estas campanhas quando o Papa cá vem...
Está-se mesmo a ver a hipocrisia: durante o ano está-se tudo a marimbar para os preservativos e a sua distribuíção gratuíta, mas quando cá vem o Papa lembram-se logo de fazer estas campanhas.

Agora diz-me lá se não é uma provocação.
Critiquem menos e façam mais, é a sugestão que deixo.

Renato Rocha disse...

Paulo:

A provocação não diria, mas sim a crítica. Há um óbvio significado em distribuir preservativos quando o Papa cá vem, mas ninguém irá interromper serviços religiosos ou criar situações embaraçosas. Além disso, não se trata de nenhuma provocação gratuita, mas sim com uma finalidade positiva e com objectivos nobres.

Quanto à tua acusação de hipocrisia e ao teu comentário sobre como estas coisas só aparecem quando Papa cá vem, sugiro que visites sites como o da associação Abraço, que faz este tipo de campanhas e distribuições com grande regularidade. Um exemplo é a campanha "Não te queimes", que irá decorrer na altura da queima das fitas. Este é apenas OUTRA das campanhas, que por motivos óbvios recebe mais destaque.

http://www.abraco.org.pt/

Paulo39 disse...

Eu sei que há instituíções que REALMENTE se preocupam com o problema da sida, como é o caso da ABRAÇO que eu, de resto, já conhecia.

Mas não são essas instituíções dignas que vêm fazer estes circos para ganhar notoriedade e atacar o papa.

Já agora, porque não falas das inúmeras instituíções ligadas à Igreja que apoiam toxicodependentes e sem-abrigos em geral e que são, muitas vezes, a única mão amiga e a última hipótese duma refeição?

Como já disse muitas vezes, eu não defendo a Igreja, simplesmente não entendo a tua obcessão por ela.

Renato Rocha disse...

Paulo:

Não percebo porque é que uma instituição tem de ser "digna" para fazer uma campanha destas com legitimidade; aliás, nem percebo o que significa "digno" neste contexto. Aliás, ficas a saber que a própria ABRAÇO é um dos principais patrocinadores da campanha Preservativos ao Papa; entre outras.

Apelidas esta campanha de "circo", o que é curioso. Porquê um circo? Trata-se de uma distribuição de preservativos gratuita, nada mais. Ninguém está a ganhar notoriedade, muito menos a fazer isto só porque lhe apetece provocar ou montar espectáculo. Posso imaginar cinquenta outras campanhas de mau gosto que poderiam ser feitas contra o Papa, que com certeza trariam muito mais atenção aos seus autores; mas a campanha Preservativos ao Papa escolheu um caminho um pouco mais discreto, que é de louvar.

Falas das "inúmeras" organizações ligadas à Igreja. Podes nomeá-las? E a propósito, "ligadas" à Igreja será o mesmo que "fazendo parte" da Igreja?

Mesmo assim, é um ponto algo inútil nesta discussão. Para mim qualquer instituição ou organização que faça o "bem", religiosa ou não, é de louvar; e se me deres o exemplo de uma organização que esteja a ajudar os mais desfavorecidos serei o primeiro a publicitá-la aqui e a dar-lhe o valor que merece.

A minha "obsessão" não é pela Igreja, mas sim por aquilo que de negativo sai da boca dos seus representantes. Isto é válido para qualquer outra religião, organização ou personalidade que diga algo estúpido e que me revolte. Acontece que agora a visita do Papa é um tema mais falado e recente, e que por isso me desperta mais a atenção.