domingo, 11 de julho de 2010

Se o PNR não é racista eu sou uma mulher de 35 anos

O Partido Nacional Renovador, o partido que mais luta pela igualdade em Portugal, fez uma manifestação contra os recentes assaltos na linha de comboios de Cascais. Como se tratava de uma manifestação “sem o objectivo de provocar”, escolheram a praia do Tamariz, na linha de Cascais, onde “a escumalha”, segundo um dos entrevistados, costuma ir relaxar e “fazer arrastões”. Outro dos protestantes reclamava com os grupos de “pretos e ciganos”, que segundo o PNR parecem estar no centro da criminalidade em Portugal. Parabéns, vocês têm muito jeito para fingir que não querem provocar ninguém!

Solução para a criminalidade? Mais poderes policiais e controle de imigração. O porquê do controlo de imigração ser um factor vital na luta contra a criminalidade pode ser um mistério. Veremos se encontramos respostas no site oficial do PNR:

A IMIGRAÇÃO É A CAUSA DE TODOS OS MALES?

Não. O PNR entende que cada povo pode enriquecer a sua cultura através do contacto com outros povos ou civilizações. Mas expressa igualmente a sua preocupação com as tendências mundialistas e multiculturais, das quais a imigração é apenas uma das faces, e que constituem uma ameaça à identidade, independência, e segurança nacionais.

O PNR bate-se contra a imigração desregulada, contra a importação de mão-de-obra barata, contra o nivelamento por baixo dos salários, contra o aumento da criminalidade, contra a proliferação de guetos e zonas de não-direito, contra o aumento do desemprego.

Eu estava enganado! O discurso parece quase razoável! Também eu sou contra a criminalidade, os salários baixos, e o desemprego. E em relação à imigração?

OS IMIGRANTES SÃO NECESSÁRIOS PARA FAZER CERTOS TRABALHOS?

Não. Antes de mais, se as profissões indiferenciadas fossem remuneradas com justiça haveria muitos portugueses interessados em segui-las, como sempre houve.

Aliás, o facto dos portugueses fazerem esses trabalhos lá fora é prova disso, mas se são pagos miseravelmente é porque há quem se sujeite a eles por qualquer preço, o que faz com que o nível salarial baixe cada vez mais.

Efectivamente, os imigrantes que partem desesperadamente à procura de uma vida melhor vão mentalizados para aceitar quaisquer tipo de condições, ficando à mercê de uma nova forma de escravatura e de multinacionais sem escrúpulos, que são quem realmente beneficia das políticas imigracionistas, não o próprio imigrante.

A beleza do raciocínio nacionalista pode ser resumida numa frase: imigrantes que venham para o nosso país são uma escumalha inútil e que pretende roubar o trabalho aos pobres dos portugueses, que só não os aceitam porque estar no desemprego deve ser melhor do que receber um salário baixo; mas os imigrantes portugueses noutros países são uns pobres coitados que, em desespero, se vêm explorados pelas multinacionais sem escrúpulos. Conseguem sentir o aroma a hipocrisia? Mas espera, eles adivinharam a pergunta que ia fazer a seguir!

OS PORTUGUESES TAMBÉM NÃO SÃO UM POVO EMIGRANTE?

Sim. Mas, antes de mais, os Portugueses que habitam em território nacional não podem ser constituídos reféns dos que, por motivos pessoais ou materiais, demandaram para outros países.

Além disso, é preciso ter em conta ainda que a maior parte dos emigrantes portugueses instalou-se em países europeus, como a França, a Alemanha ou a Suíça, não pondo em causa os costumes e os aspectos civilizacionais dos países de acolhimento.

Ah, está explicado. Então o problema não está nos imigrantes ou na imigração em si, mas sim na nacionalidade dos imigrantes que cá chegam, cultura essa que pode colocar em risco os “aspectos civilizacionais” dos outros países. Assim, um imigrante de uma cultura “europeia” será com certeza bem-vindo e não faz mal nenhum, mas são esses malandros de outras culturas que vêm estragar tudo! Pouco importa se o imigrante faz realmente algum trabalho de qualidade, ou produz riqueza; o que importa é a cultura de onde veio, porque ela pode chocar de alguma maneira com a nossa cultura e isso é que não pode ser. Aliás, toda a gente sabe que o contacto com outras culturas é das coisas que mais criminalidade e caos social traz a um país. Continuemos, exactamente sobre se os imigrantes produzem ou não riqueza:

OS IMIGRANTES GERAM RIQUEZA?

Não, geram tanta riqueza como outra pessoa qualquer, mas regra geral o imigrante ainda beneficia das benesses custeadas pelos portugueses e que lhes são dadas pelos governos, subservientes do mundialismo e capitalismo selvagem que alimenta as suas negociatas.

Então… Isso não quer dizer que um imigrante trabalhador gera tanta riqueza como um português a fazer o mesmo trabalho? E não estarão todos os pobres desempregados portugueses, que face aos baixíssimos salários oferecidos pelo patronato (obviamente responsabilidade dos temíveis imigrantes de outras culturas), ao usufruírem do subsídio de desemprego e outras regalias, a “beneficiar de benesses custeadas pelos portugueses e que lhes são dadas pelos governantes”? Para o PNR, aparentemente, a cultura é que é o mais importante. Se a minha cultura for europeia e eu estiver a sobreviver de subsídios por não ter emprego, sou uma vítima de um sistema multicultural e injusto; se eu vier de uma cultura não-europeia, sou um aproveitador e um desonesto. Estranhos critérios.

Os imigrantes podem contribuir para o aumento do PIB, mas isto se não forem incluídas as despesas que a presença deles em Portugal implica, e que fazem com que eles na verdade contribuam para o empobrecimento do Estado.

Então uma pessoa que trabalhe e que produza riqueza mas que, por ter filhos, ou por usufruir do serviço nacional de saúde, ou por ter abonos de família, ou por ter qualquer tipo de ajuda social, está a empobrecer o Estado? Segundo o PNR, está; mas só se for imigrante, porque ao que parece não há NENHUM português que, apesar de produzir riqueza com o seu trabalho, não beneficie de algum tipo de ajuda social. Continuemos, depois de já estar bem assente que, além de “igualdade”, os nacionalistas não parecem ter ido ao dicionário procurar o significado de “hipocrisia”:

Junte-se ao valor do défice os milhões que já foram, e ainda são, gastos com habitação social, rendimentos mínimos, abonos a famílias que não param de crescer, recrutamento de polícias para vigiar certos bairros, custos com serviços prisionais, subsídios de desemprego, assistência hospitalar e sanitária, cursos profissionais e de língua portuguesa, etc., etc., tudo isto custa muitos milhões aos contribuintes.

Desafio ao leitor: da lista apresentada acima, aponte-me UM ÚNICO dos factores de despesa pública enumerados que não seja também usufruído por portugueses. Não há portugueses com o rendimento mínimo? Nem nas prisões? Nem a ter famílias numerosas? (aliás, curioso que o PNR critique os abonos a famílias que “não param de crescer” quando também se apresentam como um “partido pós-família e pós-vida”) Muito menos com subsídio de desemprego?

A ideia do PNR é claríssima: os imigrantes são uma massa de pessoas sub-desenvolvidas, com tendências para o crime, para o desemprego, e para a despesa pública, que retiram prazer de viver à conta do Estado. E, como já ficou demonstrado, o PNR defende que esses imigrantes são os de culturas não europeias, o que não deixa grande margem para dúvidas. Os negros são o principal alvo de críticas do PNR. Mas serão racistas?

O PNR É UM PARTIDO RACISTA?

Não. O racismo é uma doutrina que assenta na superioridade de uma raça sobre as outras. Ora, os nacionalistas são os únicos que verdadeiramente respeitam as diferenças entre raças, povos e nações, e que pretendem que estas não desapareçam.

Sim: a diferença entre um português desempregado ou com acesso a subsídios do Estado e um não-português desempregado ou com acesso a subsídios do Estado é que o primeiro é uma vítima do segundo. O PNR até é simpático, e respeita as diferenças entre “raças” (bela escolha de palavras); desde que essas diferenças fiquem lá bem longe, nos outros países.

E, relembrando o comentário referido no início do post sobre as guerras de gangs entre ciganos e “pretos” e a adjectivação de “escumalha” aos visitantes da praia da linha de Cascais, o site do PNR sublinha:

O PNR condena o terror das agressões racistas, verbais ou físicas, e de que são vítimas muitos portugueses no seu dia-a-dia.

Ah, percebi! Então o PNR não é racista porque condena as agressões racistas, mas só contra portugueses. As agressões racistas aos não portugueses não merecem atenção, aliás, nem parecem constituir racismo. Dizer que o Partido Nacional Renovador não é racista é uma verdade ao mesmo nível de defender que o Hitler foi um grande defensor da igualdade entre os povos.

Talvez o cartaz do PNR colocado em Lisboa, ilustrando uma ovelha branca a expulsar à marrada uma série de ovelhas negras do país, seja o mais brilhante exemplo do cuidado que o PNR tem em não parecer racista:


1 comentário:

Anónimo disse...

Por amor de deus minha senhora, se quer desacreditar um partido então que fale nos partidos que tem governado Portugal e conseguiram levar este pais ao estado que está. Achei as respostas do PNR bem mais coerentes que as suas observações. Eu não tenho nada contra os imigrantes, aliás eu proprio sou emigrante, mas sei ver que as leis de imigração tem de ser revistas e com urgencia em toda a europa, nos não podemos acolher toda a miseria do mundo quando nós proprios caminhamos para lá, temos que dar prioridade aos portugueses como é obvio! Não sei o que é que isso tem de racista é assim em todo o mundo, menos nesta nova europa com o seu multiculturalismo forçado. como emigrante a residir em Paris posso lhe garantir que isto vai trazer consequencias gravissimas num futuro muito proximo. O Japão e outros paises asiaticos são fechados a emigração, e influencias estrangeiras e não vejo ninguem a chama-los de racistas neo nazis! Pelos vistos racismo é só atribuido a Europeus e brancos no geral. cumprimentos