quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Sentir-me de férias
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Um dia importante
segunda-feira, 20 de junho de 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Alô – post pessoal
Entretanto tenho andado atarefado com um projecto em parecia com uma senhora doutura chamada Mariana Fernandes, que vai ser (se ela deixar) disponibilizado aqui para todos verem e lerem e apreciarem e mostrarem aos amigos e às tias.
Ainda nas notícias: estou a desenvolver um Projecto Misterioso e a preparar uma nova série semelhante ao “Smith e as Sereias” para publicar por aqui. Portanto, ando ocupado. Além disso, pretendo começar a ver filmes que nem louco e a dormir que nem um bebé gordo e nutrido.
Até lá, cumprimentos aos setecentos mil leitores diários.
O Autor
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Só para perceberem porque é que o blog anda meio abandonado
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Estatísticas


domingo, 29 de agosto de 2010
Sou um criminoso
Isto dito assim pode parecer treta, ou até exagero. Não é. Acabei de descobrir, através de uma reportagem sobre Poker na Sic, que jogar este jogo fora dos casinos no nosso país é uma ilegalidade. Vim eu todo contente das férias, das quais algumas horas foram passadas a aprender um jogo que afinal não podia ter estado a jogar, a pensar que podia agora procurar um Poker set (com as fichas e os baralhos) nas casas dos chineses, para descobrir que também é ilegal vender esse tipo de material.
A ASAE assim o controla, correndo lojas e hipermercados à caça de quem vende o Poker às pessoas que gostariam de poder jogar com os amigos um jogo que, confesso, é divertido mas potencialmente viciante.
Ainda assim, muitas coisas são mais legais que o Poker, e muito mais perigosas; veja-se o tabaco, também ele vício, ou o álcool, por si só mais responsável por desgraças no mundo que qualquer jogo de cartas. E já que se proíbe o jogo entre amigos porque pode ser viciante, há que proibi-lo também nos casinos; ou o vício escolhe espaços geográficos?
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
E assim foi que numa manhã de sol
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Visita ao Zoo
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Estou de férias (e sinto-me de férias, o que é o mais importante)


quinta-feira, 11 de março de 2010
Um pequeno momento de honestidade
Hoje aconteceu-me uma coisa estranha. Estava de pé, a carregar o meu cartão Lisboa-Viva com viagens de metro, quando um individuo negro, enorme, de óculos escuros e casaco de cabedal se aproximou e parou mais perto de mim do que seria socialmente aceitável. Por momentos pensei que ia ser assaltado, enquanto esperava que o troco saísse da máquina, mas isso é porque sou medricas. As moedas caíram, tirei-as, e estava a afastar-me da máquina quando o enorme negro me fez sinal para voltar para trás, e eu tive a certeza que ia ser morto à facada ou assim. Ele estendeu a mão, enfiou-a dentro da abertura da máquina que cospe os trocos, e retirou uma moeda de 1 euro, que me estendeu de seguida.
Fiquei surpreendido; primeiro porque nunca me esqueço de moedas dentro da máquina, e depois porque aquele tipo podia ter-me deixado ir embora e ganho um euro, que nem é muito mas também não é pouco. Mas não, fez-me sinal e estendeu-me a moeda, pedindo-me ajuda de seguida porque não sabia como pedir um bilhete à máquina. Ajudei-o, e cada um segui com a sua vida.
Gostei deste momento porque, em 30 segundos, relembrou-me o porquê de ser uma pessoa honesta e boa com os outros. Ao ler e investigar sobre religião e moralidade, fico surpreendido quando as pessoas dizem que seria impossível desenvolver um código moral e levar uma vida honesta sem a crença em Deus.
Não faço a mais pequena ideia se o homem me deu a moeda esquecida por ser religioso, mas isso não importa. É por situações como estas que vale a pena ser boa pessoa; porque fazer o bem pelos outros é um investimento na sociedade, que mais tarde ou mais cedo, recebendo o bem, vai responder com certeza na mesma moeda. Não é preciso nenhuma garantia de um código moral superior e infinito, ou a promessa de uma recompensa de quem nos vigia; basta o simples facto de, ao viver em sociedade, fazer o bem tende a atrair o bem, enquanto que se andarmos de um lado para o outro a ofender e roubar toda a gente rapidamente seremos excomungados do resto da sociedade. Chama-se “ser honesto porque sim”; não custa nada, e sabe lindamente.
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segunda-feira, 8 de março de 2010
Este é o segundo Dia Internacional da Mulher do qual eu me esqueço

segunda-feira, 1 de março de 2010
Objectivos Profissionais
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O que estou aqui a fazer às duas da manhã
Tenho dois tipos de insónias, a insónia eufórica e a insónia de fraqueza. A insónia eufórica é a que estou a ter hoje, sem razão aparente. Não consigo dormir, e pela minha cabeça passam milhões de imagens distintas e aleatórias. Caras de pessoas, acontecimentos, cenas de filmes, capas de livros, árvores, animais, partes de vídeos, peças de roupa, cores, texturas, pessoas. É uma espécie de catálogo a alta velocidade. Tem banda sonora e tudo: ouço sons em concordância com as imagens que imagino, ou (na pior das hipóteses) um refrão ou letra de uma música a passar em loop constante e doentio. Ouço a mesma música vezes e vezes e vezes sem conta, e seria de esperar que isso me adormecesse, mas acaba por acordar-me ainda mais. Suponho que as torturas de sono utilizadas nos prisioneiros em Guantanamo sejam muito semelhantes ao espectáculo de pirotecnia criativa com que o meu cérebro me delicia de vez em quando.
O outro tipo de insónias que também costumo ter é mais angustiante. Imaginem o seguinte cenário: acabaram por passar por um dos dias mais longos das vossas vidas. Tiveram um exame importante, aulas difíceis, discussões, viagens compridas, coisas para entregar á última hora, experiências de quase morte, qualquer coisa. Estão estafados. Parece que foram espancados por um pugilista profissional. Todo o vosso corpo é uma massa disforme de dor e cansaço, e tudo o que a vossa mente consegue vislumbrar por entre a penúmbra da fraqueza é uma almofada. Agora imaginem que, durante horas e horas e horas, se reviram na cama sem conseguir dormir. Tudo no vosso relógio biológico vos diz que está na hora de dormir, e tudo o que pedem do vosso corpo são duas ou três horas de sono, ou um momento apenas de paz adormecida, mas nada. Ficam acordados. Durante horas. A desfalecer, mas acordados. Durante horas. Literalmente. Horas.
Deve haver qualquer tipo de explicação natural para isto; tem de haver. Se depois de ser observado por um batalhão de neurologistas mesmo assim não conseguir encontrar uma explicação, talvez me vire para aquelas coisas New Age de virar a cama para um ponto cardeal qualquer, ou dormir com cristais na mesa de cabeceira. Talvez o placebo funcione mais do que a simples vontade voluntária de dormir. Prometi a mim mesmo que vou a um médico ver o que se passa (há anos, porque nada disto é novidade para mim), e vou mesmo.
Por agora vou tentar dormir. Vou voltar para a cama com optimismo e coragem. Vou provavelmente demorar a adormecer. Muito. Amanhã será um dia dedicado a manter-me acordado.
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domingo, 20 de dezembro de 2009
"Mas afinal como podes não gostar do Natal?!"
Argumento # 1 – O Consumismo e a Obrigação de dar prendas a toda a gente
Este é um clássico. Eu sei que o Natal é uma festa de família, uma tradição, uma celebração da vida, um momento para estarmos juntos, em harmonia com quem amamos, etc, etc, etc. Mas sejamos sinceros, o Natal é para gastar dinheiro. Por alguma razão os trabalhadores recebem o 13º mês, por alguma razão os supermercados e as lojas ficam cheias, por alguma razão o tempo médio de publicidade duplica em qualquer canal. O consumismo expressa-se não só nas prendas, mas também na enorme quantidade de tralha que “temos” de comprar, desde os doces tradicionais até ao bacalhau. Toda a gente anda de um lado para o outro a contar os trocos, e a gastar balúrdios em prendas para a família e amigos. Convencionou-se que seria assim, e não há nada que possamos fazer senão entrar no jogo. Pensem, por momentos, nas consequências de quem não dá prendas. Parece que se trata de uma ofensa pessoal. Supostamente as prendas dadas mostram o amor e a estima que sentimos pelas outras pessoas, e na minha opinião é o pior sistema de sempre por duas razões.
Primeiro, porque não vejo como gastar dinheiro num produto (mesmo que desejado pela pessoa a quem o vamos dar) possa remotamente ser a prova do nosso amor e estima por ela. É uma noção ridícula e contra-producente, que transfere uma mensagem de amor ou de amizade para dentro de um embrulho. Eu não preciso que a minha família ou amigos gastem dinheiro e andem a correr à procura de uma prenda que me agrade, como se uma prenda que eu não gostasse me estragasse o Natal e me fizesse achar que estas pessoas, afinal, não me têm em grande consideração.
Segundo, porque se cria esta espécie de obrigação social e generalizada, em que temos prendas “obrigatórias”. Não podemos deixar de oferecer qualquer coisa aos miúdos, porque, coitadinhos, pronto, é Natal. Ah, e não esquecer que se vamos a casa do Não Sei Quantos temos de levar-lhes qualquer coisa. Para além de todas as prendas que devemos comprar a Fulano, porque no ano passado ELE deu-nos qualquer coisa. Cria-se uma rede bem oleada de obrigações, em que as prendas passam de mão em mão sem nunca sabermos como começou tudo isto. E alguém que se recuse a dar prendas é rapidamente tratado com desdém, como quem não vê os jogos da selecção nacional durante Europeu.
Quem não ouviu já aquela velha frase “Eia, acabei de comprar uma coisa para o Não Sei Quantas que é perfeita para lhe dar no Natal!”. No Natal? Porque não JÁ? Se as prendas servem para mostrar aos outros como gostamos deles, porque não dar já a tal prenda perfeita, ao invés de esperar pelo Natal.
Eu respondo: Porque se derem já a prenda, ficam com a responsabilidade de lhe encontrar OUTRA prenda para o Natal, altura em que realmente têm de lhe oferecer qualquer coisa!
Argumento # 2 - Celebração idiota; o Natal é para estar com a família!
O que é o Natal, no fundo? Do ponto de vista religioso, é a celebração do nascimento do Menino Jesus… apesar de ao que parece ele não ter nascido a 25 de Dezembro. Do ponto de vista não-religioso, é uma festa que junta a família, que celebra o amor, que é importante para unir e para trazer felicidade.
Ora, isto não só é mentira (uma família que se junte de propósito no Natal, e apenas no Natal, para celebrar a união entre os seus familiares, é uma hipócrita), como diz muito sobre o que andamos a fazer o resto do ano. Se precisamos que o calendário nos diga quando nos devemos reunir com a família, e quando devemos mostrar aos outros que gostamos deles, então o que andamos a fazer o resto do ano? Porquê convencionar esta data em Dezembro para juntar toda a gente? “Quando vais visitar os teus pais’”, “No Natal, claro”. Claro porquê? Porque não JÁ? Porque não juntar a família num banquete cheio de doces e porcarias que engordam em Julho? Porquê criar uma aura de tradição e costumes familiares à volta desta data, quando podemos alimentar o espírito de família noutras ocasiões, sem ser necessária uma tradição que nos ajude a defini-lo?
Argumento # 3 - Falsa solidariedade
Uma das coisas que mais surge com o Natal, para além do consumo, são as campanhas de solidariedade. Escuso de estar a enumerar os mecanismos que as organizações utilizam para recolher donativos, toda a gente já se deparou com milhares de coisas destas. Ajudar o próximo e Apoiar os mais necessitados são mensagens que ouvimos imenso.
O engraçado é que os mais necessitados só parecem precisar de ajuda no natal. Fora alguma campanha ou outra, pouco ouvimos falar de solidariedade noutras alturas do ano. No Natal, no entanto, é quando surgem as mensagens cheias de poderosos catalisadores de solidariedade, defendendo que não podemos esquecer os que mais precisam. Este número elevado de pedidos bombardeiam a população nesta altura por uma razão muito simples: é uma data bonita, em que todos devemos reflectir sobre o que temos e sobre as pessoas que não têm nada, e por isso é nossa obrigação ajudá-las.
Ora, isto é uma hipocrisia. No fundo, o que se passa aqui é um caso bastante óbvio de pura culpa. As organizações solidárias (cujo trabalho é absolutamente maravilhoso, não me interpretem mal) aproveitam esta altura do ano para chamar a atenção das populações porque é exactamente no Natal que toda a gente está a gastar dinheiro em porcarias para comer, em bons vinhos, em caixas de bombons para dar às tias, em telemóveis novos para os sobrinhos ou em carros telecomandados para os miúdos. É nesta altura que as pessoas sentem culpa por gastarem dinheiro em tamanhas tretas, e sentem que, ao comprar um livro de uma avestruz amarela ou contribuir apenas com 60 cêntimos através de uma chamada telefónica, estão a compensar o dinheiro gasto em ninharias ajudando um menino africano com lepra.
Acho isto óptimo, porque muita gente pobre recebe ajudas nesta altura do ano; mas ao mesmo tempo, era bom que esta ajuda viesse de absoluta honestidade e boa vontade, em qualquer momento do ano, ao invés de ser o resultado de uma enorme culpabilização em quem gasta dinheiro em prendas. É uma solidariedade falsa e desonesta.
Argumento # 4 - Pai Natal e o porquê de se portar bem/ prendas como recompensa
Perguntem a qualquer miúdo pequeno o que é o Natal, e eles vão com certeza responder-vos “É aquela altura bonita, em que posso finalmente rever os meus familiares e estar com quem mais amo”.
Na verdade, a resposta que vão obter é curta e honesta: “Prendas”. Para a pequenada, o Natal é uma espécie de data mágica onde, sem razão nenhuma, recebem um saco enorme de prendas. Não percebem bem porquê, só sabem que desde que se lembram há um homem gordo e vestido de vermelho, provavelmente um milionário excêntrico, que lhes vem deixar prendas a casa. E, além disso, já conhecem de cor a ladainha do “Se não te portares bem o Pai Natal não te traz prendas!”.
É absolutamente ridículo ensinar uma criança que deve arrumar o quarto ou ajudar a pôr a mesa porque, se não o fizer, não recebe prendas numa data mágica. Além disso, utilizam esta pequena ilusão inocente do Pai Natal para que os filhos não façam cá chantagens emocionais com os pais. “Olha que é o Pai Natal que te está a controlar, não temos nada a ver com isso! Se não te portares bem ele vê-te e não te traz prendas!” Esta mudança da responsabilidade é elegante, e os miúdos realmente andam durante uns tempos na linha; não pelas melhores razões, mas andam. Fora aqueles que, mesmo portando-se mal, recebem todas as prendas que pediram e os beijos apaixonados e babados dos paizinhos. Que lição a dar às crianças, nesta época de amor e harmonia!
Ei, aqui está uma ideia: e que tal meterem-nos a procurar por entre a tralha que têm na caixa dos brinquedos, fazerem-nos escolher um brinquedo com que já não brinquem, e levarem-nos a uma instituição para que possam dar o brinquedo em mão a uma das tais crianças necessitadas? Davam a tal “alegria” a todas as crianças órfãs com cancro que conseguissem encontrar, ensinavam uma valiosa lição aos vossos pequenos.
Isto tudo, claro, sem esquecer as pequenas coisas que tornam o Natal absolutamente irritante: as músicas, o vermelho em todo o lado, as decorações a chuparem a electricidade municipal, a publicidade homicida, os programas de variedades, as figuras dos Pais Natal nos centros comerciais, o sentimento constante de alegria estúpida e despropositada e os filmes de 4 horas e meia sobre a vida de Jesus e os Dez Mandamentos, sem esquecer o Sozinho em Casa e o ET.
Apresentei os meus argumentos, sintam-se convidados a apresentar os vossos.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Contrastes de Sexta à Noite
Ia eu para casa estafado e esta gente, da minha idade, saíra agora das suas casa e dos seus jantares de amigos em direcção à baixa da cidade, prontinhos para uma madrugada de excessos. Pergunto-me: indo eu para casa mal vestido e estafado, a esta hora que para mim é tarde e para esta gente muito cedo, estarei a perder alguma parte marcante, quiçá irrecuperável, da minha juventude? Quantas experiências estarei a deixar passar por escolher a minha casa, a leitura e o descanso em vez dos copos de álcool, ruas cheias de raparigas de decote e festas com música aos berros?
Olhei melhor para esta gente. Perfumada, bem vestida, de cabelos penteados com uma precisão cirúrgica. Passam provavelmente mais tempo na casa de banho a pentear-se do que a estudar para os testes de matemática. Mexem nos seus telemóveis de alta geração, conversam sobre superficialidades, antecipam a noite de festança garantida. Comparam marcas de roupa, procuram raparigas ou rapazes para o flirting, e tentam ao máximo minimizar qualquer resíduo de personalidade para se melhor misturarem na mistela de cabeças vazias que é a minha geração. Actualizam-se no calão, saltitam de bar em bar, seguram o copo de álcool na mão como se dele dependesse um estatuto social. Plastificam-se à vista de todos, para que assim, todos plastificados, não sejam cá diferentes nem esquisitos. Todos amigos, todos iguais. Vistos de longe parecem saídos da fábrica. Uns apanham pielas, outros levam pancada, outros chegam a casa vivos e de moralidade intacta, talvez porque têm mais juízo; a assim na próxima sexta lá estarão outra vez, e o ciclo recomeça como se de uma obrigação se tratasse.
Então? Estarei eu a perder um marco na minha juventude, uma one in a life time experiencia que quanto mais envelhecer mais longínqua se torna? E principalmente, terá isso importância?
Não. Não me parece.
Estou em casa, confortável e no quentinho. Vou deitar-me, amanhã acordo cedo.
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sábado, 31 de outubro de 2009
O Trajectória Aleatória dá os parabéns (atrasados)...
Estou a brincar.
Parabéns Madalena!
(para quem não sabe, a Madalena também tem blog; eu queria colocar aqui um link para o respectivo, mas não sei se ela se ofende. Assim, vou perguntar-lhe e logo darei conta da resposta. Fica a mensagem de parabéns)
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Yawn

A tentação é pesadíssima, e difícil de controlar. Por momentos, o risco de apanhar uma falta ou perder uma aula inteira pesam muito menos do que a noite mal dormida. Fecho os olhos e reviro-me na cama, adiando o inevitável, pensando que só mais cinco minutos não vão fazer a diferença.
Depois de me levantar já é mais fácil. Arrasto-me para a casa de banha, arrasto-me para dentro e depois para fora da banheira, arrasto-me para a cozinha. Toda esta rotina é acompanhada por bocejos, incontáveis bocejos, e uma sensação de que os meus olhos estão cobertos por aquela película aderente que temos na cozinha, para enrolar as sandes antes de as meter no frigorífico.
Saio de casa e vou para a escola, volto da escola, almoço, ando de transportes, vou comprar material, dou as minhas voltas; e passo o dia todo a queixar-me do sono que tive de manhã e do sono que vou tendo ao longo do dia, e penso para mim mesmo que essa noite é que é, vou jantar cedinho, lavar a louça, ver uma meia hora de televisão e depois seguir para a cama, tranquilamente, às 10 e meia em ponto.
Se há coisa que todos temos em comum é este sentimento, a súbita responsabilidade madura que nos faz decidir este tipo de disparates todos os dias. “Desta vez é que vou MESMO fazer aquilo que já devia ter feito há uns dias”. Lá no fundo sabemos que é treta.
Chega a noite e ponho-me a ler, a petiscar uma bolacha ou outra, a ver vídeos no computador, a falar com conhecidos e amigos graças às novas tecnologias; e chega a hora, aquela hora prometida. Olho para o relógio, não tenho sono. Penso, “só mais cinco minutos”. Meia hora depois volto a olhar para o relógio, sem sono, em quase pânico por ver decrescer à minha frente o número de horas de sono disponíveis. Faço contas de cabeça, olho para o horário várias vezes para confirmar a desgraça, e insisto: “Só mais uns cinco minutos e depois sim. Aí é que é mesmo”.
Lembro-me agora que era assim mesmo quando era pequeno. De manhã custavam-me horrores acordar de manhã, quanto mais levantar-me da cama e sair para a escola; e à noite com os filmes de pancada que só davam tarde e os livros que queria ler, acabava sempre por estender a hora limite. Maus hábitos de criança, coisas que fazemos em pequeno e que agora já temos idade para não repetir.
Mas claro que repito. Todos os dias. Todos os dias acordo de manhã com vontade de ir à escola só para lhe atear fogo, para poder voltar para a minha cama calmamente e sem compromissos. Todos os dias passo o dia a bocejar, com dores no corpo, com ar de frete, mal dormido; e todos os dias, à noite, não resisto a mais meia hora do filme, a mais um vídeo na Internet, a mais umas páginas do livro. Dou por mim com os mesmos hábitos que tinha em criança, e começo a pensar que devia aprender com os meus próprios disparates. Devo ter passado 60 por cento de toda a minha vida escolar com sono por causa desta brincadeira, mas ao fim do dia, naquelas horas que parecem tão pequenas e que passam a correr, o filme e os vídeos e a leitura ganham outra importância; como se tivesse passado o dia todo a estudar, a andar de um lado para o outro, a bocejar, só para ter direito a estas três horas e meia ao fim do dia. Horas para estar um bocadinho comigo, completamente desperto, fazer aquilo que bem me apetece e adiar a inevitável e dolorosa experiência que se aproxima: acordar com a porcaria do despertador na manhã seguinte.
Como dizia o sábio Rei Leão ao seu filhote Simba: é o ciclo da vida.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Mononucleose contada às crianças
Levanto-me outra vez de manhã como se tivesse levado com um camião em cima. Dói-me o corpo todo, as articulações, os músculos, provavelmente os ossos e a superfície cutânea. A vontade de abrir os olhos é pouca, mas a porcaria da janela ficou aberta ontem a noite e tenho de me levantar para fechar a persiana e voltar para o suado e patogénico ambiente carinhosos dos cobertores. Ergo-me a tremer de frio, enfio uma camisola, vejo que ainda são umas oito da manhã; como terei ainda mais uma semana para estar em casa sem fazer nada, decido fechar a janela e não me levantar, pelo menos para já.
Enrolo-me como um bebé nos cobertores. O tédio, as horas a passar e o tresandar ao próprio suor são tudo boas razões para me afogar no bidé, ou meter a cabeça no fogão; mas hoje não. Talvez amanha. Hoje ainda tenho aquelas repetições dos Simpsons que já vi umas cinco vezes, e aquelas repetições do Dr. House, e mais as repetições daqueles filmes que dão todos os sábados na TVI. Com tantas oportunidades para viver mais um dia de absoluto sedentarismo, cansaço e preguiça, para quê o suicídio? Nos tempos que correm, muito boa gente vendia a própria mãe para terem férias de tal envergadura. Para faltar aos testes e ainda ter a mãezinha à perna, a perguntar se queremos um cházinho. Por respeito a quem trabalha, tenho de me esforçar ao máximo para viver mais um dia nesta letargia doentia, pelo menos mais um dia!
Agora estou outra vez com febre. Ou talvez não, já nem sei. Fartei-me de ter de meter um aparelho electrónico no sovaco de cada vez que me sinto febril. Que se dane, se estiver com febre devo sentir, certo? E das duas uma, ou fico com um calor brutal e começo com divertidas tonturas que me empurram contra as paredes ou me fazem a cabeça girar de cada vez que me levanto, ou acordo (como agora) a meio da noite, a tremer de frio, a ouvir as minhas próprias articulações a ranger, a ouvir a sinfonia do meu maxilar inferior a bater nos dentes de cima como aquelas castanholas sevilhanas. Engulo o comprimido, volto a meter-me na cama previamente coberta de cobertores. Já não é uma cama, é um protótipo de loja de mantas. Tento adormecer, não consigo. Toco estupidamente no meu nariz e sinto-o frio. Penso com um sorriso que talvez já esteja cadáver, pelo menos só no nariz. Penso que se a Rita ali estivesse já me estava a levantar as pálpebras para ver se estou amarelo nos olhos. Ou que se a Vanessa aqui estivesse me diria que não estou nada em condições de ir para a escola, não sejas maluco, e tu vê lá se tomas os comprimidos! Onde está a tua mãe? Tá aí contigo? Diz-lhe que… etc, etc, etc. Ou se aqui estivesse a Ana já estava a fazer uma careta, a dizer “Opa, que coisa, e agora? Estás bem? Não estás pois não? Eu sei que não, eu tenho um sexto sentido para essas coisas… Ai, Renato, a sério, fala comigo, estás bem?”. Ou talvez o Luís, com a sua guitarra, a cantar-me alguma balada sobre enfermeiras sensuais. Ou o Tiago, a fazer um striptease masculino, o que juntaria à minha lista de sintomas a vontade de vomitar. Mas eles não estão aqui. Estão dali a nada a entrar para as aulinhas, todos felizes. Imagino-os vestidinhos de igual, sorridentes, de mãozinha dada, a saltitar para a escola, a cantar “Que bom que é, que bom que é estar na escolaaaaa!”. Deve ser, imagino que sim…
Quero sair daqui. Nem é pelo frio, nem pelo tremer, nem pelas tonturas, nem pelo sabor da porcaria do benuron pela língua abaixo. É porque quero simplesmente sair daqui. O mundo lá fora continua e eu aqui, parado. Como se para mim o tempo estivesse com prisão de ventre, não fizesse o que tinha a fazer. Estivesse sentado na sanita à espera de poder sair dali mas por qualquer razão não poder…
Estou aqui preso. Preso por quatro paredes, preso por quinze cobertores, preso por um bicho qualquer que tem a lata de me andar a infectar sangue abaixo. Como se eu fosse pessoa de dar essas confianças a vírus. Não há direito.
Vou-me levantar, devagarinho. Fazer um cházinho, quiçá. Ver se fico melhor.
Será que é hoje que me afogo no bidé?

