quinta-feira, 14 de julho de 2011

Um dia importante

A estreia do último filme da saga Harry Potter é um marco na minha vida. Não pela sua importância objectiva, que não a tem, mas pela sua importância emocional. Depois dos livros, que foram terminados em 2007, os filmes eram um resquício de alegria irracional de alguém que cresceu com a criança da cicatriz na testa. Cada filme a transposição para o ecrã e para uma arte que adoro de um livro que me fizera vibrar até de madrugada; cada filme uma análise detalhada: o que ficara de fora? Hei, no livro está escrito de forma diferente. Aquela fala não era ele que a dizia, pois não? Talvez; vou ter de ir confirmar. O último filme é a última oportunidade para sentir esta alegria infantil, talvez, mas constante, e que não mudou nunca desde que me sentei, há largos anos atrás, numa sala de cinema cheia de crianças como eu a ver aparecer o Harry Potter pela primeira vez na tela. Aliás; uma alegria que se mantém desde que abri pela primeira vez o primeiro livro. Com uns dez anos sentia que pertencia àquele Universo, e essa sensação manteve-se até hoje apesar de entrar na idade adulta, realista por natureza, e de já não ter idade para me deixar levar por fantasias. Mesmo sem idade, deixei-me levar mesmo. A partir de hoje, nada vai ser por mim encarado com a mesma felicidade alarve, com o mesmo nervoso miudinho, com a mesma impaciência entusiasmada de menino. Claro; não chorei quando o Harry Potter morreu (já tinha lido o livro, ao contrário de muitos “verdadeiros fãs”), nem ao ver Hogwarts destruída. Mas senti um nó estomacal quando os créditos finais correram e as luzes se acenderam. É o fim de um ciclo e o fim da infância de muita, muita gente. Alguém quer crescer?

4 comentários:

Ana Sousa disse...

Renato, como eu te entendo! Sim também fui uma fã como tu! Li tudo e muitas vezes. lol Já sabia a história toda e o que acontecia a cada personagem. Mas ver o filme é sempre "emocionante". Mas, como é óbvio, também não chorei quando o harry morreu, ou o fred, ou nenhum outro personagem. Ms no fim também senti esse nó, essa sensação de fim de uma coisa que acompanhou o meu crescimento. Gostei do filme. Gosto da saga Harry Potter. E também para mim foi um dia importante. =)

Mariana disse...

Renato,
Não poderia estar melhor descrita a sensação do que sentimos, na realidade, quando "os cantinhos" da infância vão acabando.

Beijos

Anónimo disse...

Se me permites a correcção: "A estreia da Segunda Parte último filme da saga Harry Potter Em 3D!".

Antes de mais devo dizer que eu não vi nenhuma das partes deste último filme, nem do anterior, e que também não li o ultimo livro. Porque a ideia com que fiquei dos últimos momentos da saga foi de uma grande desilusão.
Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter foram os primeiros livros que li voluntária e vorazmente. Também me lembro de entrar no cinema em pequeno com um tipo de excitação que mal cabia em mim. E lembro-me da emoção que tive ao ver esse filme.
Era mesmo magia, porra.

Agora faço um paralelo entre a saga do Harry Potter e a Disney, porque da mesma maneira que não vi os últimos filmes, também não vejo a Hannah Montana, mas sei que se puser essa serie ao lado do Rei Leão por exemplo, sou capaz de ficar desapontado de uma maneira parecida.

Desafio quem quiser a olhar para a capa do primeiro filme e compara-la com os cartazes que estão agora colocados deste ultimo. No primeiro há côr! No ultimo há 3D e dinheiros (quem é que parte um filme destes em 2!! Bom. Eu não vi por isso não vou refilar sobre isso).

Peço desculpa mas fiquei angustiado a escrever este comentário, não vou desenvolver mais.

Renato Rocha disse...

Caro Anónimo:

Do meu ponto de vista, a "evolução" da saga Harry Potter foi não só inteligente como essencial. Com certeza que não estaria à espera que os últimos livros tivessem o mesmo grau de inocência e infantilidade que os primeiros, ou estaria? Isso seria, a meu ver, aborrecido para quem cresceu a ler os livros. Tal como os leitores, as personagens crescem, evoluem, tornam-se adultas e amadurecem. A história fica mais complexa, mais negra, e aproxima-se mais dos temas que são, aliás, o seu centro: o amor e a morte, tratados de uma forma muito mais épica e séria que nos primeiros livros e filmes.

Além disso, a decisão de partir o último filme em dois não me parece ser totalmente economicista; para isso mais valia ter partido em dois outros livros que, pelo volume de informação, também o mereciam (especialmente o Cálice de Fogo e a Ordem da Fénix, que aliás é o filme com menor duração de toda a série). Tratou-se, a meu ver, de uma excelente decisão criativa.

Quanto ao 3D, que odeio, relembro que o filme pode ser visto em 2D (foi o meu caso).